A CPI Mista do Cachoeira decidiu não discutir nem votar nesta quarta-feira (31), última sessão prevista da comissão, os mais de 500 requerimentos que pediam a quebra de sigilo das empresas "fantasmas" que recebiam repasses da construtura Delta. As empresas são acusadas de terem sido usadas para repassar dinheiro não declarado a campanhas (caixa dois) ou para corromper agentes públicos.
A CPI ainda tem de decidir o prazo de prorrogação. Um requerimento que pede 48 dias, apenas para finalização do relatório, é defendido pela base governista e também pelo relator, deputado Odair Cunha (PT-MG). Outro pedido, da oposição, pede prorrogação de 180 dias para conclusão dos trabalhos. Para que a CPI seja prorrogada, é preciso que sejam coletadas 27 assinaturas no Senado e 171 na Câmara.
O requerimento que pediu o adiamento é de autoria do relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). Por ser de autoria do relator, o requerimento teve prioridade sobre os requerimentos pedidos pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que pediam a votação dos requerimentos de quebra de sigilo.
“Há um acordo de líderes, gostem, queiram ou não alguns parlamentares. A prorrogação será feita para a leitura do nosso relatório”, disse o relator.
A colocação do requerimento em votação causou divergências entre os parlamentares. “Este requerimento é para impedir a quebra do sigilo das laranjas do senhor Fernando Cavendish [ex-diretor da Delta], para que depois ele recompense com champanhe francesa quem o benefia nesta CPI”, disse o deputado Onyx.
O requerimento foi colocado em discussão. Em favor, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) saiu em defesa do relator. “A proposta do relator é para que não se coloque a carrta na frente dos bois. É uma medida de precaução. Eu parabenizo o relator, e peço que venha o voto dos colegas da base”, disse o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ).