A Justiça de São Paulo suspendeu na segunda-feira (22) a transferência de Fernando Behmer Cesar de Gouveia Buffolo, de 33 anos, para um hospital psiquiátrico a pedido da sua defesa, que quer que seu cliente seja submetido antes a um exame de insanidade mental. A decisão foi do juiz Davi Capelatto, do Departamento de Inquéritos Policiais da Polícia Judiciária (Dipo), segundo informou nesta terça-feira (23) a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de SP (TJ-SP).
O administrador foi preso após balear três pessoas ao recusar um tratamento. Ele teria tido um surto psicótico naquela ocasião. Apesar disso, declarou em seu interrogatório que agiu em legítima defesa. Buffolo achou que o grupo se tratava de um bando criminoso que queria invadir a casa onde ele estava hospedado na Aclimação, região central da capital.
De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária, por volta das 12h desta terça, o suspeito foi transferido da carceragem do 31° Distrito Policial, na Vila Carrão, para a Penitenciária de Tremembé, no interior paulista.
A paralisação da transferência para uma unidade psiquiátrica foi pedida pelo defensor de Buffolo. O advogado Ricardo Martins de São José Júnior, contratado pelo pai do acusado, alegou ao magistrado do Dipo que o parecer médico que atestou que seu cliente é esquizofrênico e precisa se tratar foi feito por um psiquiatra que afirmou em entrevista à imprensa que sequer conheceu o paciente. Esse documento sobre a saúde mental do administrador, feito a pedido da mãe do rapaz, serviu, no entanto, de base para uma juíza da 3ª Vara da Família, decretar a interdição compulsória dele e determinar sua internação forçada.
“Como é que um psiquiatra dá um diagnóstico de esquizofrenia para uma pessoa baseando-se somente em informações que a mãe dessa pessoa forneceu? Isso não demonstra que o Fernando tenha problemas psiquiátricos. Por esse motivo, pedi para a Justiça suspender a transferência até que um laudo oficial feito por uma fonte idônea, indicada por um juiz, possa diagnosticar sua doença, indicar o tratamento necessário e determinar onde isso seria feito”, afirmou o advogado Ricardo Martins Júnior ao G1.
Um oficial de Justiça e um técnico em enfermagem que foram na quinta até a casa onde Buffolo estava hospedado para cumprir o mandado, acabaram baleados pelo administrador. Uma psicóloga, dona da residência e amiga do atirador, também foi atingida. As vítimas não correm risco de morrer.
Após mais de nove horas de negociação, a Polícia Militar conseguiu a rendição de Buffolo e o prendeu. Na sexta-feira (19), a Polícia Civil havia pedido para transferir o administrador de empresas para uma unidade psiquiátrica por temer que ele voltasse a surtar na cela da delegacia onde está detido provisoriamente. Naquele mesmo dia, o Dipo havia concedido a solicitação, mas voltou atrás na segunda, após petição feita pela defesa do acusado.









