O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos revelou que guarda a sete chaves um diário que escreveu enquanto fazia parte do alto escalão do governo Lula. Advogado do ex-vice-presidente do Banco Rural, José Roberto Salgado, no processo do mensalão, ele diz que anotou detalhes do que viveu durante os quatros anos em que foi ministro.
Thomaz Bastos assumiu o cargo em janeiro de 2003. Ele foi o primeiro ministro da Justiça da Era Lula e escreveu, de forma detalhada e descritiva, todas as experiências à frente da pasta, desde as barreiras encontradas para aprovar o Estatuto do Desarmamento até as festinhas que promovia para jornalistas, na piscina do hotel onde ficava hospedado em Brasília.
O ex-ministro falou sobre seu diário hoje, no plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), minutos antes do início da sessão de julgamento do mensalão. Ele revelou que as anotações estão escondidas. Negou que usa o cofre de um banco para esconder os papéis e se recusou a revelar onde estavam as páginas com os bastidores políticos do Ministério da Justiça.
De acordo com o advogado, quem deu a ideia do diário foi o jornalista Elio Gaspari, que sugeriu ao ministro que escrevesse sobre os dias vividos como ministro.
— Eu tentei escrever imitando o estilo de Carlos Castello Branco. Todo dia eu anotava e tenho muitos amigos que são personagens, acredito que ofenderá algumas pessoas.
Castello Branco foi um jornalista, membro da Academia Brasileira de Letras, famoso pelo livro póstumo A renúncia de Jânio. Ele era próximo do presidente Jânio Quadros e tinha acesso a informações exclusivas, mas aceitou publicar o livro somente depois de sua morte para não ser julgado.
É justamente essa a ideia de Márcio Thomaz Bastos. Ele revelou que pretende divulgar o diário somente daqui a 50 anos.
Antes disso, no ano que vem, Márcio Thomaz Bastos promete lançar uma autobiografia que está terminando de escrever. Entre as experiências narradas, o ex-ministro deve contar sobre sua atuação como defensor do bicheiro Carlos Cachoeira e o que viu durante o julgamento do mensalão.