Indignado com os gestores de sua cidade, morador de Rio Largo e representante de um grupo de moradores faz carta aberta à sociedade da cidade e expões suas angústias quanto ao futuro e ao presente. No documento é denunciado o peço abusivo do Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU), considerado um dos mais caros praticados em nosso estado.
Carta às Autoridades de Rio Largo
Venho através desta carta exprimir minha indignação cívica com mais um abuso à cidadania, ao Direito e à moral pública. Sou natural deste Estado (Alagoas), nascido em Maceió e há mais de 30 anos radicado aqui, na cidade de Rio Largo e como habitante, já com os meus 54 anos de existência, tendo vivenciado dois regimes distintos em toda a nossa história, confesso que nunca me senti tão triste, desanimado e desprovido de esperanças para com o nosso cenário político local e regional.
Excelentíssimo Senhor Prefeito e Excelentíssimos Senhores Vereadores, meu nome é José da Silva Melo, e como disse acima, moro com minha família na cidade de Rio Largo há mais de trinta anos. Resido na parte alta da cidade, no Bairro de Mata do Rolo, especificamente no Conjunto Vila Rica, na casa de número 34 da Quadra F3. Mesmo sempre estando em dia com os meus deveres e impostos, direitos simples como saneamento, calçamento, esporte, lazer e educação profissional em nossa realidade local sequer possuem cacife para serem elevadas ao status de sonho; as corrupções – política e pública – há muito contaminaram o espírito cívico que outrora nos energizou a buscar coisas que foram tão escassas como liberdade, democracia, expressão e etc.
Há mais de 25 anos moro neste conjunto, o Vila Rica, fui um dos primeiros, mais precisamente o terceiro morador a comprar um terreno e erguer uma casa e aqui depositar meus sonhos, minhas ambições de bem-estar e felicidade com minha amada família. Há exatos 25 anos pago em dia todos os impostos que me aparecem, e em especial o Imposto sobre propriedade territorial urbana (IPTU) demasiado caro para nada. Pago há 25 anos, mais de R$ 850,00 por um direito que nunca tive: O acesso ao saneamento e ao calçamento da rua que moro, no conjunto em que vivo. É impossível não desabafar essa tristeza, essa indignação, pois em meus 54 anos de vida nunca me senti tão lesado quanto no presente momento, pois sou obrigado, quase que coagido a pagar fidedignamente todos os anos por garantias das quais nunca usufrui e tampouco tenho esperanças de vir a me valer.
Recentemente vi os Poderes Executivo e Legislativo de meu município serem presos, encarcerados e enquadrados como bandidos e não me espantei, pois conheço o teor do conteúdo das plebes que infelizmente são maioria e formam a população de minha cidade que por sua vez vota , elege e dá poder a essas senhoras e senhores, porém pisando no barro, na lama e convivendo com os urubus, o lixo a céu aberto e o cinismo nesses 1/4 de século aqui em Rio Largo me fazem indignamente questionar: “É justo e se for, tem ou teve alguma serventia esses R$ 850,00 que paguei em IPTU desde que aqui me estabeleci?”
Rio Largo, 15 de Outubro de 2012, José da Silva Melo








