O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva acredita que o líder venezuelano, Hugo Chávez, recentemente reeleito para um novo mandato, "deve começar a preparar sua sucessão".

"Havia uma eleição na Venezuela, onde duas pessoas se apresentaram, Henrique Capriles e Hugo Chávez, e eu achava que o segundo seria a melhor opção para o país. Agora, acho também que o companheiro Chávez deve começar a preparar sua sucessão", disse Lula em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal La Nación, de Buenos Aires.

O ex-líder brasileiro disse que a Constituição da Venezuela "permite que Chávez seja candidato pela quarta vez, mas quando ele perder, os adversários também poderão se apresentar quantas vezes quiserem, e isso eu não acho que seja bom".

"Por isso, é que eu mesmo não quis um terceiro mandato. Porque se tivesse feito, teria tentando um quarto mandato e depois um quinto. Então, se quero para mim, quero para todos. E para a democracia, a alternância de poder é uma conquista da humanidade e, por isso, é preciso mantê-la", sustentou.

Lula afirmou que se compararmos a "Venezuela de Chávez" com a "Venezuela antes de Chávez", o país "melhorou muito" e o "povo pobre ganhou dignidade".

"A América do Sul ganhou muito com Chávez, porque antes até os sanitários eram importados dos Estados Unidos. Hoje, essa importação é feita também por Argentina, Brasil e outros países. A Venezuela começou a olhar para América Latina, por isso defendi o ingresso do país no Mercosul", disse.

Com relação ao bloco fundado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, Lula considerou que a suspensão do último país do Mercosul foi acertada por conta da destituição do então presidente Fernando Lugo, em junho, pelo senado paraguaio, em processo cuja legitimidade foi questionada pelas nações vizinhas.

"Não se pode permitir que a política seja feita dessa maneira", afirmou Lula, que na quarta-feira se reuniu em Buenos Aires com a presidente argentina, Cristina Kirchner.

"Sinceramente, acho que se a vontade popular não foi respeitada, a democracia ficará debilitada. Lugo terminaria seu mandato no ano que vem, por isso acho que decisão do Mercosul foi correta", acrescentou.