O candidato do PSOL, Alexandre Fleming, conseguiu - durante o transcorrer da campanha - provocar muitos candidatos, garantindo frases emblemáticas no processo eleitoral. Nos debates que ocorreram em escolas e universidades - estaduais e privadas - o psolista adotou como estratégia dois eixos: apresentar algumas de suas propostas e pontuar as diferenças entre as candidaturas postas. Eis o que irritou alguns de seus adversários. 

O primeiro “alvo” foi o candidato Ronaldo Lessa (PDT). O ataque não foi a Lessa, mas à administração municipal do prefeito Cícero Almeida (PSD), ao relembrar do processo da “máfia do lixo”. Ronaldo Lessa se exaltou pela primeira vez na campanha e rendeu um dos vídeos do guia eleitoral de Fleming, onde o pedetista aparece indagando de forma revoltada: “que carapuça, cara?”. Ronaldo Lessa relembrou, ali!, que ser situação tem bônus, mas também tem ônus.

Nem Sérgio Cabral (PPL) escapou da mira psolista. Alexandre Fleming lembrou do recente passado do candidato no PCdoB e de cargo que ocupou na atual administração municipal, além das discussões iniciais do processo que quase levam o PPL para a coligação de Ronaldo Lessa. Cabral levou na esportiva, não se irritou e seguiu como mesmo discurso quando confrontado.

Fleming também usou números do governo do Estado de Alagoas para atacar - ainda que indiretamente - os candidatos Jeferson Morais (Democratas) e Rui Palmeira (PSDB). O primeiro se afasta da condição de candidato do governo, inclusive por já ter criticado Palmeira em seu guia e em discursos. O tucano assumiu a postura de “homem de gelo” da eleição. Pouco responde aos confrontos. Diz que não baixará o nível, manterá o respeito aos adversários e ficará concentrado em propostas. Foi assim - por exemplo - no “morno” debate televisivo.

Sobre Galba Novaes (PRB), o PSOL usou pontos como transparência, para criticar o fato da Câmara Municipal de Maceió - administrada por Novaes - ainda não ter o portal da transparência no ar e a crítica a utilização dos recursos públicos, já que o dinheiro que foi devolvido pelo parlamento-mirim foi aplicado em obras no Tabuleiro do Martins, que seria o reduto de Novaes.

O presidente da Câmara respondeu a altura explicando os pontos e atacando Fleming. Afirmou que o psolista é um candidato que faz a crítica pela crítica, ao invés de apresentar suas ideias.

As mais recentes crítica foram destinadas à candidata Nadja Baia (PPS) pelo fato de seu partido integrar a base do governo do Estado e pela trajetória política da candidata, que passou por Maragogi até chegar em Maceió, assumindo pastas de governo. Fleming também lembrou da passagem do PPS pela administração municipal.

A resposta de Baia - no debate da televisão - virou hit na internet em função da expressão “olhe meu filho...”. Nadja Baia ainda colocou que o PPS tem postura própria. Fleming voltou a repetir as críticas em um debate numa escola pública. Revoltou não só Nadja Baia, mas como um candidato a vereador do PPS que usou dos mais calorosos adjetivos contra o postulante ao Executivo pelo PSOL.

Fleming encerra o processo eleitoral com um guia eleitoral que abriu melhor o diálogo com a sociedade, reafirmando o papel do PSOL no debate, apresentando propostas para avaliação do leitor, como as da subprefeituras, dentre outras, e com críticas firmes em relação aos adversários. Se resultará em efeitos na urna, é o eleitor quem dirá, mas não se pode negar os fatos. Por sinal, um fato: o candidato tucano foi bem menos incomodado do que se esperava. Quem partiu para a oposição ferrenha a Rui Palmeira foi Ronaldo Lessa e já nas últimas semanas.
 

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