Uma segunda edição do projeto “Cinema no Balanço das Águas” acontecerá em dezembro, durante seis dias, levando o barco-museu da Coleção Karandash de Arte Popular e Contemporânea de volta aos povoados Ilha do Ferro, no município de Pão de Açúcar, e Entremontes, em Piranhas.

O projeto – proposto pelo museu Coleção Karandash e contemplado pelo Programa de Cultura do Banco do Nordeste e BNDES – começou em 2008 como “Museu no Balanço das Águas”, quando o casal de artistas visuais, Dalton Costa e Maria Amélia Vieira, comprou o barco Santa Maria, que fazia o transporte de passageiros entre uma margem e outra do rio São Francisco, em Pão de Açúcar. A embarcação, transformada em barco-museu, tem levado àquelas localidades ribeirinhas oficinas de desenho e pintura, de artesanato e, por último, no ano passado – já como “Cinema no Balanço das Águas” –, oficinas de fotografia, vídeo e cinema.

“Minha preocupação é dar continuidade às oficinas, porque não adianta abrir uma janela para a comunidade e depois desaparecer. A Ilha do Ferro em Pão de Açúcar é uma comunidade preparada para o mundo”, diz Maria Amélia, confiante na receptividade do projeto entre jovens e crianças. “A Ilha do Ferro é um celeiro de grandes artistas populares, como Fernando Rodrigues, Aberaldo Sandes e muitos outros. As crianças já trazem esse traço com elas”, concordou a arquiteta e professora de arte educativa, Rejeny Rocha, responsável este ano por uma oficina de cenografia.

Além de Rejeny e do casal Dalton-Maria Amélia, outros artistas compõem a tripulação do barco-museu Santa Maria. O fotógrafo Juarez Cavalcanti e o vídeoartista Pedro Octávio já estavam na primeira edição do projeto, em 2011. Este ano, o “Cinema no Balanço nas Águas – Segunda Edição” incorpora também o designer gráfico Jorge Santos e o professor de cinema de animação Ricardo Elia – este, a exemplo da primeira edição do “Cinema”, que convidou o grafiteiro paulistano Zezão, é o convidado especial da segunda edição do projeto.

Anima Mundi
Formado em Cinema pela PUC do Rio, Ricardo Elia é professor de cinema de animação desde 2007 no projeto Anima Escola, que ensina técnicas de stop-motion para crianças da rede pública fluminense de ensino. Desde 2004, é monitor da oficina de massinha no Anima Mundi (Festival Internacional de Animação do Brasil) e, em 2012, roteirizou cinco curtas-metragens com temática infanto-juvenil para a TV Brasil.

De acordo com o diretor do festival Anima Mundi e coordenador dos cursos de animação no Rio, Marcos Magalhães, a oficina que será levada aos jovens dos povoados Ilha do Ferro e Entremontes “desmitifica a tecnologia audiovisual, mostrando que animação pode ser feita com poucos recursos e com muita imaginação e talento”

“As animações”, diz ele, “são feitas com materiais simples, como lápis e papel, massinha de modelar, recortes de papel etc. Mas o projeto também conta com um software especialmente desenvolvido para este fim, o Muan, que é livre e gratuito para três sistemas (Linux, Windows e Macintosh) e pode ser baixado no site www.animaescola.com.br”.

Magalhães afirma que as oficinas realizadas fora do Rio – como a recentemente realizada em Porto Velho (Rondônia) – tiveram ótimos resultados, integrando as técnicas trazidas pelos professores do Anima Escola com as peculiaridades da cultura local.

“Ricardo Elia, o professor que designamos para esta participação no ‘Balanço das Águas’, tem ampla experiência com animação e cinema e é um dos mais capacitados e experientes membros de nossa equipe. Ele certamente terá a sensibilidade de fazer emergir, no resultado das atividades das oficinas que fará nessas localidades alagoanas, os talentos e conteúdos próprios e singulares da região.”

“A animação”, continua o diretor do Anima Mundi, “é uma linguagem perfeita para isso, pois tem o dom inerente de combinar diversas linguagens artísticas”

“Os cursos do Anima Escola sempre capacitam os participantes a traduzir em imagens em movimento as suas próprias imagens e ideias, sem estabelecer padrões ou formatos prontos”, conclui Magalhães, avisando que a cultura local “é mais do que bem vinda a enriquecer os filmes que serão produzidos durante as atividades e exibidos no final das oficinas”.

Checagem do barco
Neste mês de outubro, a equipe do “Cinema no Balanço das Águas – Segunda Edição” fará uma primeira inspeção às condições do barco-museu Santa Maria, que mais uma vez fará o deslocamento entre os dois povoados localizados nos municípios sertanejos de Pão de Açúcar e Piranhas.

“Precisamos fazer a manutenção do barco e os primeiros contatos com os nossos apoios locais”, explica a capitã Maria Amélia Vieira.

Os trabalhos das oficinas de fotografia (com Juarez Cavalcanti), de vídeo (com Pedro Octávio), de cenografia (com Rejeny Rocha) e de animação (com Ricardo Elia) – todos abertos à visitação pública – serão realizados nos dias 7, 8 e 9 de dezembro na Ilha do Ferro, e nos dias 10, 11 e 12 em Entremontes. O Sebrae-AL e o Sesc-AL, além da Galeria Karandash (av. Moreira e Silva, Farol), apóiam o projeto.