O alagoano João Vitor não deve mais jogar pelo Palmeiras, mas antes terá uma reunião na terça-feira para ter uma definição mais clara de seu futuro. Com contrato até dezembro e cheio de problemas com a torcida, o volante não deve ter seu vínculo renovado e ficará só treinando na Academia de Futebol até o fim do ano. Depois da vitória por 3 a 1 sobre o Figueirense, sábado, em Florianópolis, o gerente de futebol César Sampaio revelou que terá uma conversa particular com João Vitor.

De acordo com o dirigente, a reunião ainda não ocorreu porque o elenco ainda estava de “cabeça quente” após a sequência de três derrotas no Campeonato Brasileiro e as ameaças de torcedores à diretoria. Como já teve problemas anteriores, João Vitor pediu para ser preservado neste momento da temporada – ele é um dos mais visados pelos palmeirenses.

– Tivemos uma semana turbulenta e algumas coisas ocorreram, mas temos de tomar as decisões de cabeça fria. Por isso, fiquei de conversar com ele na terça-feira. Tivemos algumas coisas depois do jogo com o Corinthians, e isso não foi só com o João, estendeu-se a outros jogadores. O evento que ocorreu ano passado com o João fizeram com que ele ficasse mais visado – explicou César Sampaio.

A justificativa oficial para a ausência de João Vitor é um problema em um dedo do pé direito. O volante realmente tem um problema médico, mas o clube aproveitou a situação para deixar o jogador fora do foco – a pedido dele próprio.

– Ele tem uma fratura no dedo, mas vinha nos ajudando e jogando no sacrifício. Ele não veio para esse jogo porque está fazendo tratamento intensivo – disse César Sampaio.
João Vitor tem sido alvo de polêmicas desde o ano passado, quando se envolveu em uma briga com torcedores em frente à loja oficial do Palmeiras, na zona oeste de São Paulo. Na ocasião, ele sofreu alguns ferimentos e prestou depoimento em uma delegacia. O episódio motivou a saída do atacante Kleber, que já vinha em crise com a diretoria do clube e usou o fato como estopim para acelerar seu desligamento.

Neste ano, João Vitor chegou com sinais de embriaguez a um treino e foi novamente exposto à torcida, que não gostou da atitude. Dias depois, o próprio jogador admitiu que chegou para o treino, numa segunda-feira à tarde, com “hálito de cachaça”. A partir daí, a diretoria já decidiu que não renovaria o vínculo do jogador, mas o preservaria até o fim do ano para evitar maiores problemas.

Assim, João Vitor deve continuar treinando na Academia de Futebol até dezembro, às vezes com o elenco, às vezes em horários alternativos. O novo técnico do Palmeiras, Gilson Kleina, diz que não sabe da real situação do jogador. Em entrevista coletiva após a vitória sobre o Figueirense, ele disse que foi informado só sobre a lesão no pé direito.