Nesta semana, o CadaMinuto publicou duas matérias chamando atenção para o esvaziamento de sessões dos legislativos em ano eleitoral. Uma delas envolvendo a Casa de Tavares Bastos, que é o parlamento estadual, onde sequer as cadeiras estão em jogo.

O detalhe é que tem vereador defendendo que é um processo natural, já que as tarefas e a agenda de eleição deixa o tempo curto e é preciso ir atrás de voto. Mas, não há nada de natural em faltar ao trabalho! Se fosse um cidadão comum - é há sim que esteja na disputa pelo voto e ao mesmo tempo trabalhando - já teria sido demitido.

É muita cara-de-pau encarar a ausência no local de trabalho e o compromisso com a atividade parlamentar como natural do processo. Afinal, os bravos edis foram eleitos para legislar e não para caçarem votos. Que se reconduzam à cadeira - aqueles que buscam à reeleição - pelo trabalho que fizeram.

Como isto, muitas vezes é impossível - justamente em virtude da péssima qualidade do trabalho desenvolvido por edis - abandona-se o parlamento-mirim em nome de outras atividades que no fim significa - de alguma forma! - a caça ao voto, seja de forma lícita ou até mesmo ilícita.

Na Câmara Municipal de Maceió, por exemplo, um vereador chegou a pedir pressa em votações, nas terças-feiras, porque seria “comum” a dificuldade para conseguir quórum no resto da semana.

Ora, levando-se em consideração que já tem edil que esqueceu onde fica o prédio-sede da Câmara pelo tempo que não vai lá; que tem edil que faz do silêncio sua atividade legislativa; que tem edil cuja máxima produtiva é batizar rua; que tem edil que nem sabe da importância de um vereador, chega a ser risível para o eleitor ouvir certas coisas. Seria cômico se não fosse trágico.

Mas, é trágico sim. Um parlamento-mirim fraco é sinônimo de um Executivo com cheque em branco para praticar as maiores das aberrações; é sinônimo do fisiologismo em busca de cargos, o que acaba inchando a máquina pública para que o prefeito sustente uma bancada numerosa e onerosa; é sinônimo de ausência de leis que de fato modifiquem - para melhor - a vida do cidadão; por fim, é sinônimo - no caso de Maceió - de R$ 50 milhões/ano jogados no lixo.

Que as casas legislativas assumam o compromisso com portais da transparência para dar acesso ao eleitor ao trabalho desenvolvido pelos vereadores. Assim, teríamos no mínimo o conhecimento de uma lista de frequência, daqueles que sequer sofrem cortes nos seus vencimentos por nada fazer, por só ocupar espaço e ainda movimentar verbas idenizatórias, gastos com combustível, dentre outros benefícios, cuja conta - caro eleitor - é sua!

E ainda há os que possuem a cara-de-pau para - neste momento - amortizarem esta conta te dando R$ 50 por um voto. Pode?

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