O ônibus da delegação hondurenha estaciona na Universidade de Newcastle. Os jogadores do país descem animados, conversando e sorrindo para as câmeras no caminho até o campo onde a seleção fará seu último treino antes do duelo contra o Brasil neste sábado, válido pelas quartas de final do torneio masculino de futebol dos Jogos Olímpicos. No fundo da fila, apenas um atleta parece deslocado. Com um fone de ouvido e cara de sério, Jerry Bengtson passa reto, sem olhar para o lado, em atitude que evidencia quem é a estrela do time que vai desafiar o Brasil nesta sexta no St. James Park.
Se o torcedor de Honduras tivesse que prestar reverência a apenas um jogador na surpreendente campanha em Londres, não existem dúvidas de que Bengtson seria o escolhido. O atacante de rosto sisudo marcou os três gols do país nesta Olimpíada, entre eles o que garantiu a única vitória até aqui e eliminou a favorita Espanha da competição.
Bengtson não é o jogador de maior sucesso no atual grupo hondurenho, mas é o que mais longe pode chegar. Se o zagueiro Maynor Figueroa, do Wigan, é o único a atuar na Europa, o artilheiro é a maior esperança para manter o país em evidência no futebol. Com apenas 25 anos, Bengtson inicia neste ano sua vida no New England Revolution, time da liga americana (MLS), e tem a perspectiva de voos maiores na carreira.
O atacante está longe de ser uma estrela mundial. A dezena de jornalistas presentes na sessão de treinamento de Honduras tinha a missão de entrevistá-lo, mas a fama repentina pode acabar a qualquer momento. Por outro lado, uma vitória contra os brasileiro pode fazer Bengtson ter ainda mais destaque do que o obtido até agora por ter eliminado a Espanha.
O espelho de jogador para o atacante, curiosamente, fez história com a camisa que estará do outro lado do campo. "Ronaldo é um fenômeno. Nós de Honduras admiramos muito ele", conta Bengtson, que pelo menos nesta Olimpíada tem feito repetido seu maior ídolo. "Eu gostava do jeito que ele se portava diante do goleiro", conta.
Bengtson começou a carreira em 2007 pelo time hondurenho Vida. Esguio, rápido de boa técnica, fez 36 gols e chamou a atenção do Motagua, clube de maior expressão pelo qual atuou até este ano. "Fui campeão e o me levaram para os Estados Unidos. Joguei só duas partidas porque precisava me apresentar aqui", relata, sobre a transferência para o New England Revolution.
O atacante não é uma pessoa expansiva. Com o semblante sério, responde a perguntas sem mudar o tom de voz. Tem uma tranquilidade parecida com a que tem mostrado em campo, principalmente na frente do goleiro. Os três gols - todos da seleção de Honduras - fazem com que Bengtson sonhe com a artilharia. "Vou tentar fazer mais para poder ser o artilheiro", avisa.
Contra o Brasil, o hondurenho encontrará um dos melhores zagueiros do mundo. Porém, a presença de Thiago Silva não preocupa o atacante. "Enfrentamos uma defesa muito boa, mas trabalhamos forte para entra forte para ir à semifinal", afirmou.
Apesar disso, Bengtson diz não temer o Brasil. Com palavras que traduzem confiança e esperança em mais uma surpresa, o atacante mostra a mesma ousadia que tem na frente do goleiro. "São 11 contra 11 e vamos ver no campo quem é que vai ganhar".
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