Não se trata - obviamente - de algum pré-julgamento; muito menos de não reconhecer o direito de reivindicação de qualquer categoria, que é legítimo e possui diversos meios para isto, desde as negociações às vias judiciais, incluindo os últimos recursos. Ainda digo mais: é claro que os trabalhadores do setor do transporte público precisam de melhores salários, benefícios dentre outras conquistas justas.

Dito isto, vamos a uma outra discussão: é bem pertinente as colocações feitas pelo promotor do Ministério Público Estadual, Marcus Rômulo, em relação a paralisação de advertência dos rodoviários decidida em assembleia geral no sábado passado.

Por estratégia, no mínimo, o sindicato da categoria não escolheu um bom momento político, pois pode ser um argumento a mais para os empresários empurrarem na população o aumento tão questionado da tarifa. Claro - é preciso frisar - que os rodoviários merecem, devem ganhar, e precisam de melhores salários e condições de trabalho. Como já dito.

Se a frota traz problemas incríveis para os usuários, imagine para quem dela tira sua sobrevivência. É um trabalho árduo, com suas consequências para a saúde física e mental e é mais que justo as melhores remunerações possíveis para a categoria e neste ponto da luta toda a sociedade precisa ser solidária e estes bravos trabalhadores.

Agora, o que não se pode é evitar a reflexão proposta por Marcus Rômulo em seu micro-blog, quando levanta: “curioso que o sindicato dos rodoviários tenha decidido pela greve justamente quando a Transpal perdeu a ação em que pedia o aumento da passagem. É mera coincidência que uma negociação que já dura meses recrudesça para uma greve justamente quando o preço das passagens deve diminuir?”

Indagação pertinente. Não se trata de entrar no mérito das negociações, cujo os trabalhadores precisam sim ter êxito. Trata-se - ao meu ver - um questionamento dos métodos adotados e a quem eles mais podem servir. Rômulo ainda destaca: “se o transporte urbano por ônibus é incapaz de servir à população, o melhor a fazer é regulamentar de vez o transporte alternativo. O que não pode é a população ficar à mercê dos rodoviários, que ficam à mercê do sindicato, o que está a mercê dos empresários...”

Uma discussão que - na manhã de hoje - pode ser levantada com o próprio sindicato da categoria para que mostre sua leitura sobre tal indagação. O que o promotor fala faz sentido; faz muito sentido. É justo que o faça, pois - volto a repetir - é um questionamento lógico e que deve, inclusive, estar ecoando na cabeça de alguns dos usuários.

No mais, como todo maceioense, este blogueiro sempre torceu e reivindicou neste espaço um transporte público de qualidade, com trabalhador bem remunerado e que atenda a população, pois a solução para o caos no trânsito de qualquer cidade grande (ou que almeja ser grande) está no transporte de massas eficientes. Espaço totalmente aberto à direção do sindicato.  

Estou no twitter: @lulavilar