Há - pelo menos! - um desencontro de informações nos discursos que nascem no grupo de situação que entrará para disputar a cadeira que hoje pertence ao advogado Omar Coêlho de Mello: o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas.

No dia de ontem, 17, como bem anunciado pelo jornalista Ricardo Mota, a atual vice-presidente Rachel Cabús será a candidata do grupo de Omar Coêlho, por conta de um entendimento que envolve a SUPOSTA (maiúsculas assim mesmo!) desistência do então posto candidato e especialista em Direito Eleitoral, Marcelo Brabo.

Vale lembrar que Brabo foi anunciado por Omar Coêlho como consenso deste mesmo grupo. O que desafinou nessa voz uníssona? É informação que ainda se encontra a sete chaves nos bastidores da OAB/AL. Com uma nova definição, fica como cabeça de chapa: Rachel Cabús e Paulo Brêda.

Dois nomes que também - evidentemente - podem contribuir e muito com a troca de ideias. Entretanto, o que chama a atenção é a análise dos discursos feitos até aqui. Rachel Cabús - em entrevista à Tribuna Independente - falou de um encontro em um hotel da capital, onde os aliados da atual gestão optaram por seu nome.

Ela falou que a candidatura foi definida e que conta com o apoio de Marcelo Brabo. Diz ainda que a proposta partiu do próprio Brabo; e entende como natural o processo. Um dos argumentos postos - não por Cabús, mas nos bastidores - é que Brabo teria muito trabalho neste ano em função das eleições municipais, já que é especialista em Direito Eleitoral.

É um argumento risível. Pois desde sempre se soube que o ano é eleitoral. Desde sempre se soube que o trabalho era árduo para o conselheiro Marcelo Brabo. É óbvio que há mais informações aí.

Tão óbvio que basta o cruzamento dos discursos. A entrevista de Cabús a Tribuna Independente não coincide com as falas de Marcelo Brabo em seu micro-blog, quando afirma que seu nome ainda está a disposição do mesmo grupo. “Não há mudança de minha parte. Não posso desistir do que não me pertence. Não foi o Marcelo que disse ser o candidato. O meu nome está a disposição do grupo”, salientou o próprio Marcelo Brabo.

Ele vai além: “minha candidatura continua posta e depende de um grupo”. O único ponto comum é que Marcelo Brabo não vê problemas em uma eventual desistência, partindo para continuar como conselheiro federal da OAB. Até novembro, mês da eleição, muita água passará por baixo da ponte.

Mas que estas águas não tragam com elas os vícios das eleições tradicionais. Vícios estes que a OAB combate de forma tão ferrenha. Um combate - diga-se de passagem - tão importante para a a sociedade que enxerga na instituição credibilidade. Justamente por isto o processo de escolha para o representante da categoria mobiliza muito mais que a própria categoria, resvalando em discussões na sociedade civil organizada.

Que os candidatos se pautem pelo bom combate. Das propostas. O presidente Omar Coêlho afirma que a mudança de nomes na composição da situação em nada tem a ver com traição. E disse que o atual grupo não pode se dispersar. Enaltece tanto o nome de Rachel Cabús, quanto de Marcelo Brabo.

Mas, como se percebe, ainda há lacunas nos discursos postos sobre como se deu este processo, em uma gestão tão bem avaliada que tem seus feitos reconhecidos até mesmo pelos eventuais candidatos em campos opostos. Até porque não teria como ser de forma contrária, afinal, o que não se tem nesta eleição é oposição, pois há dissidências.

O advogado Welton Roberto - que é conselheiro federal na atual gestão - é candidato por conta de visões divergentes. É legítima sua candidatura, mas mesmo assim uma dissidência que se consolidou, apesar da suposta traição sofrida, como é colocado nos bastidores da Ordem.

O criminalista Welton Roberto se orgulha dos apoios conquistados, como do advogado e ex-deputado federal constituinte José Costa e de parte de uma advocacia jovem.

Há ainda o nome de Thiago Bomfim, que tem como forte apoio o advogado Felipe Sarmento. Bomfim já teve cargo na gestão de Omar Coêlho e votou no atual presidente. Portanto, também dissidência. Tem apoio também na advocacia jovem e com propostas para a valorização desta.

Por sinal, falar em advocacia jovem ultimamente daria um post! Impressionante como a juventude ganhou importância neste processo eleitoral.  

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