Mais uma vez o prefeito Cícero Almeida (PP) se enrola nos próprios passos. Impressiona a inabilidade política depois de tanto tempo convivendo com os chamados grandes “caciques”.
Em uma meteórica carreira política, em que passou pela Câmara Municipal, Assembleia Legislativa e a Prefeitura Municipal de Maceió, Almeida deixa a cadeira e se prepara para dois anos sem mandato. O que o prefeito não conseguiu? Ter em mãos uma legenda que permitisse montar o seu grupo.
Trocou de amigos - durante sua trajetória - de forma bem mais célere que os mais ágil dos fisiologistas. Ganhou a desconfiança de muitos pelos rompantes, pela passionalidade nas declarações e pela peculiar forma de lidar com as crises: personificando inimigos. Criando entrelinhas - em seus discursos - desconfortáveis para muitos dos aliados.
Ora, estes inimigos se encontravam na imprensa. Ora, o prefeito vendia a imagem de ser um Quixote a batalhar com moinhos de vento. Quixote este que nunca existiu. Assim, Almeida - que até já dialogou com Deus para decidir caminhos - não conseguiu viabilizar sequer a sua candidatura ao Governo do Estado.
Em 2010, ficou na mão do PP, apesar dos discursos proferidos na época. Apoiou o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) já no início da campanha. Seja lá por qual tenha sido o motivo pelo qual se decidiu a apoiar o atual governador, foi abandonado no meio do caminho. Não encontrou o espaço que quis. Não fez ninho entre caciques, nem se consagrou um deles numa turma que vive de muito cacique e pouco índio.
Isto poderia até ser bom, mas sendo Almeida; para ele foi mal!
Em 2012, mais um ano eleitoral: a sequência das mesmas decisões que levaram ao isolamento em épocas passadas. A ida para o PEN - uma pequena sigla com a qual não há identificação ideológica ou histórica por parte do prefeito - só tinha como objetivo uma única coisa: liberdade para trilhar o próprio caminho. Seria o nascedouro de seu grupo político para pensar 2014.
Neste sentido poderia ser o PEN ou outras tantas siglas menores. Mas, foi o PEN. Parecia o caminho da liberdade. Mas, não era! O PEN está nas mãos do deputado federal (provisório) João Caldas. Especialista em siglas, pois tem influência no PSC e o PTN, que já estão apoiando Rui Palmeira (PSDB) para prefeito. Será - provavelmente - destino do PEN também.
Como fica Almeida nesta sopa de letrinhas? Mais uma vez o tropeço é em si mesmo; com as próprias pernas. E agora arrumar novos amigos e novos inimigos. Alguns adversários nem são tão novos assim. O prefeito - por exemplo - cita Marcelo Palmeira (PP), o vereador que é vice de Rui Palmeira na chapa tucana.
Mágoa antiga por conta de Palmeira ter assumido a vaga do vereador almeidista Nery Almeida, cassado por compra de votos. Um desafeto do prefeito que é - ao mesmo tempo - afilhado político do senador Benedito de Lira, o “dono” do PP em Alagoas. Em momentos de crise, o cuidado é para não ser a metralhadora giratória. Porém, é com esta metralhadora que Cícero Almeida colecionou todos os frutos de sua vida política.
A qualidade destes frutos? Quem os morde que diga o sabor.
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