Um dos principais diários esportivos da Espanha, o Marca conta em seu site nesta terça-feira a história do jornalista de celebridades que virou técnico de futebol na Argentina. Trata-se de Luis Ventura, brasileiro que de dono de revista e apresentador de um programa de televisão assumiu em maio o clube El Porvenir, de Buenos Aires, da quarta divisão local.

Ventura é "o maior fofoqueiro da Argentina", conforme definiu o site brasileiro Portal Imprensa, em reportagem de 2005. Na ocasião, ele era diretor da revista de celebridade Paparazzi, editada também no Paraguai e no Uruguai, apresentava diariamente um programa no Canal América - o "Intrusos en el Espetáculo", responsável pela maior audiência da emissora - e escrevia para a revista semanal do jornal uruguaio El País.

Sete anos depois, ele virou técnico de futebol. "Vocês imaginam que na Espanha houvesse um apresentador de televisão especializado na imprensa rosa (de entretenimento) que seja diretor de uma revista do mesmo gênero e, por sua vez, treine um time? Em Argentina se dá o caso com Luis Ventura", destaca o Marca.

Ventura, de qualquer forma, não caiu de paraquedas no futebol. Segundo o jornal argentino La Nación, ele concluiu em março o curso de treinador da Associação Argentina de Técnicos (AAT). Dois meses depois, assumiu o time El Porvernir com a missão de evitar o rebaixamento, com três rodadas para encerrar o campeonato da Primera C local - missão a qual conseguiu cumprir com duas vitórias.

Logo depois de vencer por 2 a 0 o Talleres de Remedios de Escalada em sua estreia, Luis adotou uma tática motivadora, conforme aponta o mesmo diário, e prometeu sortear um notebook entre seus jogadores como forma de premiação.

Nesta terça, o brasileiro virou destaque no Marca, com cuja reportagem conversou. Na entrevista, ele se define como "um cara muito ambicioso em tudo" o que faz e diz desejar "sair campeão com El Porvernir". Ao mesmo tempo, ressalta que lutará "para seguir no mais alto da audiência com (o programa) 'Intrusos' e seguir vendendo milhares de revistas" -Paparazzi, a revista a qual ele ainda edita, tem tiragem acima de 50 mil exemplares, sendo uma das mais vendidas na Argentina do gênero "de espetáculos".

Questionado sobre a habilidade para se desenvolver tanto diante das câmeras de televisão quanto nos terrenos de jogo, Ventura alega "ter muito feeling" com o que faz, contando com "a palavra correta para cada momento".

Filho de ex-jogador argentino, Ventura já usou camisa rosa para blindar seus atletas:
Além de treinador, Luis Ventura também já jogou futebol. Conforme relata na entrevista ao Marca, ele atuou nas categorias de base do Lanús e define o esporte como um jogo "simples", no qual os atletas "têm que passar a bola ao companheiro", visto que com a posse de bola "será difícil para que o rival possa marcar".

El Porvenir é um clube localizado exatamente no bairro de Lanús, na zona sul da Grande

Buenos Aires. Entre as temporadas 1998/1999 e 2005/06, o time esteve na segunda divisão argentina e agora, na quarta, conseguiu evitar o rebaixamento com a ajuda do novo treinador, que já lançou mão até de uma tática diferente para blindar seus jogadores.

Em sua partida de estreia pela instituição, na vitória por 2 a 0 sobre o Talleres de Remedios de Escalada, o brasileiro vestiu uma camisa de cor rosa com o objetivo de "ser o alvo dos insultos da torcida rival". De acordo com ele, "esse detalhe liberava os jogadores da pressão que tinham nessa partida" - vinham de seis confrontos consecutivos sem ganhar, com dois empates e quatro derrotas.

Com "tanto otimismo" para o futuro, segundo suas próprias palavras, Ventura pretende continuar na carreira e diz que se vê "ganhando a Copa Libertadores da América". Ele sente ter "a obrigação moral" de continuar no Porvenir e idealiza ganhar um título com atletas revelados no clube.

O paulista Luis Ventura, nascido em 1955, é filho do também jornalista Antonio Ventura, argentino que se transferiu ao Brasil para jogar futebol e, depois de uma grave contusão, aposentou-se e virou repórter esportivo. De volta ao país natal, Antonio fundou o jornal Crónica, no qual seu filho começou a trabalhar exatamente na área esportiva, em 1973.

Depois, veio a mudança de setor, tornando-se o "maior fofoqueiro" do país. No futebol do Porvenir, a história de Luis, portanto, simplesmente volta para onde tudo começou.