Ivone Silva Soares, amiga da mulher que morreu abraçada com o namorado enquanto dormia, disse em entrevista ao G1 na manhã desta quarta-feira (13) que “não entende o que houve”. Ela contou que as duas trabalhavam como vigilantes e participaram de cursos de segurança que falavam sobre os riscos de acidente semelhante ao que vitimou o casal. "Achei muito absurdo. Ela tinha curso de segurança. Trabalhava como vigilante e sabia que poderia acontecer isso”, contou.

O casal de namorados foi encontrado morto na manhã da última segunda-feira (11) dentro de casa, em Santa Tereza do Oeste, a 25 km de Cascavel, na região oeste do Paraná. Segundo o delegado Pedro Fernandes de Oliveira, para se aquecer, eles colocaram fogo em uma lata com querosene e morreram por asfixia enquanto dormiam.

De acordo com o capitão do Corpo de Bombeiros, Rogério Lima de Araújo, existem três riscos de se fazer qualquer queima de combustão em lugares fechados. A pessoa pode morrer por falta de oxigênio, por intoxicação, além do risco de incêndio. “Isso é muito perigoso. A pessoa não sente nada. Simplesmente desmaia”, explica. Ainda segundo Araújo, todo inverno é registrado muitos casos por asfixia. “Infelizmente, as pessoas morrem por falta de informação e falta de prudência”, comentou.

A primeira pessoa a encontrar o casal foi Ivone. Ela contou que tentou entrar em contato com os dois na quinta-feira (7), e sem retorno, achou que eles não quisessem ser incomodados. Contudo, a partir de domingo (10) ela começou a se preocupar e ligar para parentes e amigos. “Na segunda de manhã eu fui até a casa onde ele morava. Vi que a porta estava trancada e fui direto até a janela do quarto. Os dois estavam lá, deitados como se estivessem dormindo normalmente”.

Segundo Ivone, a amiga era formada em pedagogia, mas trabalhava como zeladora de uma escola municipal de Cascavel e também era vigilante durante à noite. “Ela trabalhava muito para poder sustentar os dois filhos”, afirmou. A mulher de 35 anos deixou uma filha de 18, um filho de 13 e um neto de 2 meses. O namorado dela tinha 39 anos. “Os filhos estão em choque”, complementou.

O enterro do casal, que namorava há seis anos, foi no mesmo dia em que eles foram encontrados por causa do estado avançado de decomposição. “Pra mim foi a pior perda. Nós duas éramos mais do que irmãs”, disse Ivone.