Polícia Civil teve acesso a escutas telefônicas que revelam conversas entre suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em assaltar casas na Zona Sul do Rio de Janeiro e em Niterói, na Região Metropolitana. Na gravação, um dos criminosos, que está foragido, negocia a venda de uma arma com um comparsa, como mostrou o RJTV.

Na sexta (25), quatro suspeitos foram presos na Favela do Jacarezinho, no Rio.

Duas delegacias atuaram juntas no caso. Além de toda a investigação técnica, foi um detalhe que levou a polícia a atribuir crimes cometidos em lugares tão distantes a um mesmo bando. As vítimas contaram que um dos criminosos tinha seis dedos. Trata-se de Jhonatan Deyvison da Silva, conhecido como Be. É ele quem aparece nas escutas telefônicas.

Durante a conversa, Jhonatan, que está foragido, negocia a venda de uma pistola calibre 357.

Be: “Fala”

Comparsa: “Aquele "oitão" (revólver calibre 38) lá que tá com nós?”

Be: “Ah”

Comparsa: “Tá ligado? É 357 (pistola calibre 357), irmão. O bagulho é fuzil de mão, tá ligado?”

Be: “Ah...”

Comparsa: “Se tu gostar, quer fazer um rolo no teu?”

Be: “Traz aqui, cara. Traz aqui.”

Segundo a polícia, no Rio de Janeiro, a quadrilha costumava agir nos bairros da Gávea e Jardim Botânico.

A operação no Jacarezinho foi realizada por policiais da 15ª DP (Gávea) e da 81ª DP (Itaipu). A ação visava cumprir seis mandados de prisão contra os criminosos. De acordo com o delegado Fábio Barucke, os suspeitos já foram reconhecidos por 15 vítimas.

Para cometer crimes, a quadrilha cruzava o Rio de Janeiro, sem nunca ter sido flagrada. Os criminosos não faziam planos, contou a polícia. O único critério de escolha das vítimas era a aparência. Por isso, eles sempre atacavam casas de classe média alta. Em abril, uma família chegou a ser feita refém numa casa no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio.

Imagens mostram ação de quadrilha
Imagens gravadas por câmeras de segurança mostram o momento em que outra família, em Piratininga, em Niterói, espera para entrar em casa, quando é abordada pela quadrilha que chega em dois carros.

Com os quatro homens presos na sexta-feira, a polícia encontrou boa parte do material roubado. O homem que seria o chefe da quadrilha, identificado como Luiz Felipe da Silva Reis, conhecido como Macarrão, também está sendo procurado pela polícia.

A polícia pede a quem tiver informações sobre os foragidos para ligar para o Disque Denúncia (2253-1177). A Polícia Militar informou que reforçou o patrulhamento no Jardim Botânico e em Piratininga, bairros onde a quadrilha costumava agir.

Violência
Segundo os últimos índices divulgados pela Secretaria de Segurança, o roubo a residências aumentou 16% este ano. Apenas na Zona Sul foram registrados, em abril, pelo menos cinco assaltos em pouco mais de uma semana. Por causa do aumento de assaltos, a polícia reforçou o patrulhamento na região.

Na semana passada, o procurador da República Luiz Fernando Voss Chagas Lessa teve sua residência, na Lagoa, na Zona Sul, assaltada por três homens armados. Segundo a polícia, os assaltantes entraram na casa e fizeram reféns o procurador, a mulher dele e o filho. Os suspeitos levaram um carro, computadores, joias e equipamentos eletrônicos.