Como era esperado, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pistolagem da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas não foi instalada nesta quinta-feira, dia 03. O motivo: falta de deputado. Com as desistências de Marcelo Victor (PTB) e Luiz Dantas (PMDB), a Mesa Diretora não indicou novos nomes. O que passou a ser cobrado de imediato por João Henrique Caldas.

O deputado estadual João Henrique Caldas (PTN) - propositor da CPI - destacou que “há uma manobra para desarticular a CPI e menosprezá-la”. Porém, JHC - durante a reunião que deveria ter instalado os trabalhos - colocou que tem confiança de que a Comissão terá início.

João Henrique Caldas salientou que vai voltar a provocar a Mesa Diretora com maior ênfase, cobrando a indicação dos dois nomes que faltam. “Não podemos instalar com os suplentes, porque é preciso que tenhamos todos os titulares. Sem isto, não pode ter a primeira etapa de instalação. Estamos impedidos de ter a primeira reunião”.

Na manhã de hoje, no encontro que havia sido convocado, apenas JHC compareceu. “A presidência - leia-se Fernando Toledo (PSDB) - da Casa tem que republicar a recomposição da Comissão com urgência. Ele tem conhecimento disto, porque sabe do Regimento Interno pela quantidade de vezes que já comandou a Casa. É estranho que a Mesa não se manifeste”.

Por enquanto, a Comissão tem apenas como titulares: JHC, Dudu Holanda (PSD) e Nelito Gomes de Barros (PSDB). “Apesar de termos uma oposição que diz que falta credibilidade para que se apure o fato no parlamento, se não há credibilidade que se feche logo a Assembleia então. Eu prefiro acreditar que o parlamento pode dar resposta à sociedade e mostrar que há parlamentares interessados em dar esta resposta”.

Perguntei ainda ao deputado estadual JHC o que ele achava da participação de Dudu Holanda na CPI da Pistolagem, já que o parlamentar do PSD é “suposta vítima” do “suposto plano” para matar dois deputados estaduais, que é o objeto principal de investigação da CPI. Assim respondeu João Henrique Caldas: “eu sou contrário a participação dele na CPI. Faltaria imparcialidade. Ele está envolvido, até mesmo como vítima na trama. Isto seria discutido numa reunião de instalação. Mas, desde o início me coloco como contrário a presença dele como membro da CPI”.

JHC confirmou a necessidade - inclusive - da CPI ouvir Dudu Holanda caso seja instalada, pois pretende investigar outra vertente em relação à trama para supostamente matar parlamentares. A Comissão também quer apurar a possibilidade do plano ter sido uma farsa, inclusive, arquitetada dentro da própria ALE para prejudicar o ex-deputado estadual Cícero Ferro (PMN). É esta possibilidade - segundo bastidores - que causa arrepios em alguns parlamentares, que preferem boicotar a CPI.

JHC não afirma isto, mas ressalta que “há resistência e - consequentemente - uma tentativa de desarticular”. “A CPI tem que ser instalada e se possível cortar na própria carne”, coloca ainda o deputado estadual do PTN. Vale ressaltar que JCH e Fernando Toledo já possuem rusgas de um passado recente: as denúncias da Gratificação das Dedicações Excepcionais (GDEs) é um exemplo disto.  

 

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