O pesquisador brasileiro Domingo Braile (SP), que desenvolveu a primeira válvula cardíaca brasileira – a Inovare – ofereceu, ontem, em Maceió, durante o Congresso Brasileiro de Cirurgia Cardiovascular, o dispositivo ao Ministério da Saúde para que seja implantado em pacientes do SUS.
As válvulas importadas, segundo ele, são muito caras – entre R$ 80 mil e R$ 100 mil – e por isso estão fora do alcance do orçamento do SUS. A Inovare sairia para o governo brasileiro menos da metade desses valores, garantiu.
A apresentação da válvula brasileira produzida com tecnologia exclusivamente nacional foi uma das grandes atrações do evento realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular.
Ela já certificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “após longo período de testes e cumprimento de grande número de exigências”, disse Braile. Ele destacou que a Inovare já foi implantada em mais de 140 pacientes.
Feita com pericárdio bovino (pela que reveste o coração do boi), a válvula brasileira é indicada para pacientes com debilidade orgânica acentuada ou idade muito avançada, portadores de uma doença chamada estenose aórtica grave – significa um desgaste ou calcificação da válvula que regula o fluxo sanguíneo do coração para a aorta.
Normalmente pacientes com essas circunstâncias não têm indicação cirúrgica e ficam sem possibilidades terapêuticas. Mas com a válvula cardíaca Inovare é possível o atendimento, uma vez que ela é implantada no paciente mediante a chamada cirurgia minimamente invasiva.
Braile explicou que há duas situações em que a válvula pode ser implantada: por meio da veia femoral ou mediante uma pequena incisão – 5 cm - no peito do paciente. Essas circunstâncias “são plenamente suportáveis para pacientes debilitados ou idosos”, garantiu. A cirurgia convencional, ao contrário, é de completa invasão no organismo, com uma incisão média de 30 cm. O tempo de realização da cirurgia também se reduz: cai de duas horas para 40 minutos.
Benefícios - Os benefícios que a oferta dessa válvula pode trazer ao povo brasileiro são imensos, de acordo com Braile. Segundo ele, são milhares de pessoas que precisam de atendimento para tratamento da estenose aórtica grave e, como raríssimos pacientes têm recursos financeiros para bancar uma válvula importada, acabam por ficar sem tratamento.
Braile defendeu também que o governo, por meio de seus órgãos de fomento à pesquisa, financie outros trabalhos tecnológicos de pesquisadores da área do coração. “A cardiologia brasileira é de ponta no mundo, então precisamos também de pesquisas para manter essa qualidade e avançar ainda mais”.
Pesquisador oferece válvula cardíaca para ser usada no SUS
12/04/2012, 11:03 - Saúde
Por Redação
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