O Ministério Público de Alagoas (MPE/AL) empossou – na manhã desta quarta-feira (11) – os novos membros do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc). A solenidade aconteceu na sede do órgão no bairro do Poço, em Maceió, e contou com a presença de diversas autoridades do Executivo e Judiciário.

Em entrevista à imprensa antes da posse, o procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares, garantiu que a nova composição tem compromisso com a transparência. “Todos sabem que o novo coordenador do Gecoc, Alfredo Gaspar, tem por vocação o combate às ações criminosas. O Grupo trabalhará aglutinado às instituições policiais. Temos diversos exemplos que esse trabalho em conjunto traz resultados satisfatórios para toda sociedade alagoana”, ponderou.

Apesar da insistência da imprensa, Tavares evitou polemizar o motivo da saída do antigo coordenador do Gecoc, Luiz Vasconcelos, e garantiu que ‘ a renovação’ acontece em decorrência das mudanças que o MPE vem passando nos últimos anos. “Atualmente, desempenhamos diversas funções que estão carentes de pessoas competentes. Iremos inaugurar, em breve, uma série promotorias e precisamos de pessoas qualificadas para desempenhar uma boa função. O processo de renovação é natural”, frisou.

Com relação à Operação Espectro que encontrou um rombo de R$ 300 milhões nos cofres públicos de Alagoas, Tavares garantiu que o caso terá, finalmente, um desfecho. “Não tenha dúvida que agiremos dentro da legalidade. Vamos dar nomes aos bois. A sociedade não ficará carente de explicações. O trabalho do Gecoc deve acontecer de maneira rápida e coesa, sempre respeitando as provas obtidas pelos meios legais. Todas as ações do MPE devem acontecer com muita responsabilidade”, garantiu o chefe do MPE.

O novo coordenador do Gecoc, Alfredo Gaspar, também não quis polemizar a saída da Vasconcelos, mas lamentou profundamente que a Espectro não tenha chegando a sua conclusão. “Infelizmente, a sangria não foi cessada. Garantimos que os servidores públicos envolvidos serão responsabilizados. No entanto, é necessário se fazer uma ressalva. Debrucei-me sob os autos e não vi – repito – não vi nenhum nome de servidor público. Havendo, agiremos dentro da legalidade e, tão logo, denunciaremos”, pontuou Gaspar.

Ainda segundo ele, no Gecoc não há espaço para acordão político ou para que ‘Demóstenes’ trabalhem no suposto combate à corrupção. “Tenham a certeza que a verdade discutida em nossas reuniões será a mesma levada até a sociedade. Ninguém está acima da lei. Estamos assumindo o Grupo com total carta branca e as respostas que a sociedade exige serão dadas. Não me cabe apontar erros nos trabalhos de pessoas que ora passaram por aqui”, disse.

O antigo chefe do Gecoc, Luiz Vasconcelos, relatou à imprensa que sua saída em nada tem relação com pressão que sociedade alagoana fez em busca dos nomes dos envolvidos na operação que desviou – segundo o MPE – mais de R$ 300 milhões. “Estava prevista a mudança nesse período. Não aconteceu nenhum motivo em especial. No caso da operação, se faz bem destacar que as investigações precisam de laudos e análise de documento. E tudo isso requer tempo. Agora, vou desempenhar minha função em outro setor do MPE”, informou.

Os promotores Alfredo Gaspar de Mendonça, Hamilton Carneiro Júnior e Antonio Luiz dos Santos Filho passam a atuar juntos no desmantelamento de quadrilhas que estejam atuando em Alagoas.

Alfredo Gaspar e Hamilton Carneiro retornam ao Gecoc após um ano atuando em suas promotorias de origem. Eles fizeram parte da primeira composição da gestão de Eduardo Tavares. Já Antonio Luiz dos Santos Filho será remanescente do grupo atual, que era coordenado pelo promotor Luiz Vasconcelos, que seguirá como assessor especial do PGJ.