O deputado estadual João Henrique Caldas (PTN) - o JHC - segue na defesa da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pistolagem - CPI da Pistolagem - na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, mesmo depois do discurso forte do deputado estadual Judson Cabral (PT), ao afirmar a descrença nesta.

Para ele, o JHC, uma prova de que o parlamento estadual pode ir além dos discursos "diários sobre a violência". "Tem deputado que fala todo dia da violência e reclama na televisão, mas poderia ajudar a fazer algo mais concreto", colocou.

JHC - em entrevista a este blogueiro - diz que a instituição "não pode ser personalizada (ou personificada) na figura de alguns deputados estaduais, e por esta razão cair na descrença a possibilidade da CPI da Pistolagem". "Em todo canto há gente boa ou má. Isto não pode ser empecilho para que a Casa cumpra sua função de investigar um tema que é importante", colocou ainda.

O deputado estadual, que é o propositor da CPI da Pistolagem, tem cobrado que os partidos políticos que possuem representantes na Casa indiquem os nomes para a composição. "Não entendo porque os partidos recuaram da CPI, se aqui se discute tanto as causas da violência nesse Estado. O parlamento poderia dar sua contribuição, apurando os casos que caíram na impunidade, vendo como estão os processos. Tudo isto com poder de polícia e com mais prerrogativas do que possuem as comissões temáticas da Casa".

Para JHC é estranha a posição de "esquiva" adotada por alguns parlamentares em relação ao tema da CPI da Pistolagem. "Ora, se nem os próprios deputados acreditam, é melhor passar a régua e fechar as portas, porque o negócio está feio. Precisamos unir os do bem, para que os do mal possam se sentir incomodados aqui dentro. Para que percebam que há mudanças", frisou ainda.

As declarações de JHC surgem depois que o deputado estadual Judson Cabral (PT) afirmou - com certa coerência e lógica - que a Casa de Tavares Bastos não tem credibilidade para levar à frente a CPI. A sustentação da afirmação de Cabral está no fato do parlamento estadual ter deputados estaduais supostamente envolvido em crimes de mando e - somente por isto - já seriam objeto de investigação.

De acordo com Cabral, a Assembleia ainda não faz sequer o dever de Casa, apurando as irregularidades do próprio parlamento. João Henrique Caldas defende que uma CPI não deveria se curvar a isto. "Eu sou deputado e não temo CPI", afirma. "Se há político violento, estes precisam ser acuados e investigados. Os bandidos não podem ganhar mais uma vez. Não pode a CPI da Pistolagem cair em descrédito. Defendo a existência dela e cobro a indicação dos nomes por parte do presidente Fernando Toledo (PSDB). Vamos para o segundo mês sem indicação dos partidos. Quero saber de uma vez quem é favorável e quem é contra", finalizou.
 

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