O vereador Marcelo Malta (PCdoB) se mostrou irritado com a matéria exibida pelo programa Custe O Que Custar (CQC) - da Rede Bandeiras - no dia de ontem, 09, e que teve como alvo a Câmara Municipal de Maceió. O edil comunista classificou como um "deserviço" à sociedade e colocou que a função do quadro era ridicularizar as casas legislativas do Estado.

É de se entender a revolta de Marcelo Malta. Mas, é preciso fazer um contraponto: depois de tantas ações vistas pelas casas legislativas nos últimos anos - em especial a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas e algumas câmaras - se indaga de fato quem anda prestando deserviço. Afinal, parte do nosso parlamento estadual é apontada em crimes de mando, num desvio de mais de R$ 300 milhões, além de outros escândalos como o mais recente da Gratificação por Dedicação Excepcional (GDE).

Em relação à Câmara Municipal, há questionamentos a serem feitos em relação ao comportamento dos edis, como o fato de terem rejeitado projetos que previam cortes de gastos na própria Casa. Vereadores contrários a uma economia significativa para receber os novos edis em 2013. Preocupação que falta com os gastos públicos? Afinal, cada um dos eleitores é quem sustenta o parlamento.

Isto sem contar com o atraso do Portal da Transparência, a sepultada CEI da "máfia do lixo" (pelo objeto da Comissão e pela forma como foi enterrada pelos edis). A lista é grande. Entendo que o que o CQC faz não é jornalismo em si muitas vezes, mas são questionamentos pertinentes, muitos destes já feitos de uma forma até mais incisiva pela imprensa local. Quanto ao ato de ridicularizar às casas legislativas, é preciso dizer que há certos exageros nas piadas. Porém, muitas vezes são as ações listadas acima que ridicularizam o Poder Legislativo junto a opinião pública. E nisto, há políticos que não precisam de ajuda. E nisto, muitos edis sequer precisam da imprensa.

Afinal, o descrédito, as piadas e a ridicularização feita com a classe política não é obra do CQC, mas sim reflexo do comportamento de certos parlamentos que não andam sintonizados, em muitas matérias - infelizmente - com os anseios da população que eles representam. O CQC ocupa um espaço e "surfa na onda". Mas, Marcelo Malta considera alguns setores da imprensa "marrom". Deve compartilhar com a tese do "PIG". Enfim, é um debate em campo ideológico. Existe imprensa honesta e desonesta. Isto é fato. A honestidade e a desonestidade intelectual são os dois lados desta moeda.

Agora, o que não acho é que tenha existido desonestidade intelectual no CQC. Primeiro: os edis sabiam que era um programa de humor. Segundo: sabiam como os assuntos seriam abordados. Terceiro: tinham consciência plena das polêmicas pela qual a Câmara passava. Quarto: a exposição não seria feita de outra forma que não aquela e não era segredo para ninguém. No mais, a Câmara Municipal de Maceió tem questões muito mais importantes para se debruçar.

O que o CQC fez foi um reflexo - por via cômica - do que muitas vezes a própria sociedade questiona em relação às casas legislativas. Por fim, quando Marcelo Malta coloca que "na Casa há muitas informações importantes que devem ser repassadas para a sociedade". É verdade pura! Tem mesmo! E justamente por isto é que a cobrança por parte da opinião pública tem que ser constante, compromissada e cobrando sintonia entre representado e representantes em matérias importantes como Lei Orçamentária Anual (LOA), aumento de salário de edis, aumento de vereadores, dentre outras. Quem acompanha o dia-a-dia do Legislativo sabe e nem precisa de "imprensa marrom" para isto!
 

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