Quem diria?! Numa disputa entre fatos "pitorescos" - geralmente o que alimenta as matérias como as do programa Custe o Que Custar (CQC) da Rede Bandeirantes de Televisão - a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas conseguiu apagar a Câmara Municipal de Maceió, que também foi alvo da equipe do televisivo, mas não foi ao ar.

Bem, sorte ou azar - a depender do ponto de vista - dos edis que, ao menos no julgamento da edição do CQC, ainda não estão no "nível" de nossos bravos deputados estaduais, que defendem suas "prerrogativas" até com socos (literalmente)!

Na Câmara Municipal, foram indagados assuntos relativos ao aumento do número de vereadores. O presidente Galba Novaes (PRB) e Oscar de Mello (PP) foram entrevistados. Houve vereadores que "correram". Mas, se eles pudessem prever as pérolas da Casa Tavares de Bastos...ah, se pudessem prever...teriam se esforçado mais na competitividade para ocupar espaço no humorístico, ou responderiam de forma mais descontraída, pois não iriam ao ar mesmo...? A pergunta que fica!

Mas, pelo que se viu da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas é quase possível afirmar que nossos bravos deputados estaduais chegaram até mesmo a competir com os repórteres. Também, não é qualquer parlamento que tem um deputado tão sincero ao ponto de admitir compra de votos, do sacrifício que é beijar carecas feridentas e usar de eufemismo ao admitir que ajuda o povo com dinheiro em época de pleito eleitoral. Será este o único, ou o único que admitiu diante das câmeras nacionais?

E não é para qualquer parlamento abrigar um pugilista; alguém que tem o argumento nos punhos cerrados. Isto sem falar na especialidade de uma grande parte de deputados estaduais alagoanos que é informar que "nada sabe" do que se passa na Casa de Tavares Bastos, porque tudo é de "responsabilidade da Mesa Diretora". Leia-se: Fernando Toledo (PSDB). Este que é presidente do parlamento, mas que não foi ouvido pela reportagem do CQC.

Não saber de nada, jogar para a Mesa Diretora, se orgulha de uma oposição confortável, sem se pronunciar de mais e com as cobranças só em alguns momentos oportunos; abrir mão do papel de fiscalizador do próprio parlamento, sem exigir (que é a função) prestação de contas da atual presidência: é um conjunto de características que acredito que não se espera de um deputado estadual. Mas, elas estão lá, com muitos deles, como se viu bem na televisão; em rede nacional.

E assim, o sincero, o pugilista e os figurantes deram à Assembleia Legislativa um dia de circo em rede nacional, para garantir risadas e vergonha alheia. Mas, espera um pouco! Quem é que está rindo mesmo? Somos nós aqui do outro lado. Nós que tivemos R$ 300 milhões roubados dos cofres públicos, segundo a Polícia Federal; nós que vimos R$ 5 milhões desaparecerem com a justificativa de uma biblioteca; nós que tantas vezes nos indignamos com a falta de representatividade, nós, os seres mortais comuns, da labuta diária. Nós que estamos rindo de quê mesmo? É importante esta reflexão, afinal: nenhum político brota do chão do parlamento.

Quanto à Câmara? Será que vai ter vereador que vai ligar para o sincero,o pugilista ou até mesmo para os "nada sabe" com a finalidade de agradecer por tão rica atuação em frente às câmeras?

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