Líder do governo no Senado por 12 anos, Romero Jucá (PMDB-RR) rompeu o silêncio dez dias depois de ser afastado do cargo pela presidente Dilma Rousseff.
Alfinetando os atuais responsáveis pela articulação política do governo, ele nega que o seu substituto, Eduardo Braga (PMDB-AM), vá fazer algo diferente do que ele fazia. Diz que nunca fez nada "recriminável". Após assumir, Braga havia dito que traria "novas práticas" na relação governo-Senado. "O que eu fiz aqui, ele continua fazendo."
Sobre a desafeta Ideli Salvatti, ministra de Relações Institucionais, Jucá é escorregadio: "Se eu disser que [a saída de Ideli] é [uma solução para a crise], pode parecer um pouco de mágoa. Se eu disser que não, podem achar que está tudo bem", disse.
O ex-líder foi destituído na semana passada depois da derrota do governo na recondução de Bernardo Figueiredo na diretoria-geral da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre), ponto central da crise entre base aliada e Planalto.
Líder do governo no Senado por 12 anos, Romero Jucá (PMDB-RR) rompeu o silêncio dez dias depois de ser afastado do cargo pela presidente Dilma Rousseff.
Alfinetando os atuais responsáveis pela articulação política do governo, ele nega que o seu substituto, Eduardo Braga (PMDB-AM), vá fazer algo diferente do que ele fazia. Diz que nunca fez nada "recriminável". Após assumir, Braga havia dito que traria "novas práticas" na relação governo-Senado. "O que eu fiz aqui, ele continua fazendo."
Sobre a desafeta Ideli Salvatti, ministra de Relações Institucionais, Jucá é escorregadio: "Se eu disser que [a saída de Ideli] é [uma solução para a crise], pode parecer um pouco de mágoa. Se eu disser que não, podem achar que está tudo bem", disse.
O ex-líder foi destituído na semana passada depois da derrota do governo na recondução de Bernardo Figueiredo na diretoria-geral da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre), ponto central da crise entre base aliada e Planalto.
Quando, exatamente, começaram as reclamações? O senhor acha que do ano passado para cá elas aumentaram?
No ano passado tinham pleitos represados, mas a gente conseguiu, até na minha relação pessoal com os partidos, com os senadores, aprovar tudo. Esse ano, tivemos novamente as reclamações. O problema com o PR, um problema de tratamento com o PDT, que ficou um pouco afastado do governo por falta de definições no ministério. O PC do B também levantou questionamentos, o PSB pela resolução 72 [que unifica as alíquotas de ICMS dos Estados] que atinge o governador [do Espírito Santo, Renato] Casagrande. Foi se avolumando uma série de questões.
Por que o Senado escolheu a recondução de Bernardo Figueiredo para dar uma resposta ao governo?
Criou-se uma conjunção diferenciada. Eu já tinha evitado votar o Bernardo Figueiredo por três vezes. Naquela quarta-feira, eu tratei com os líderes e nós resolvemos votar porque o quórum era o mais alto do ano. Além desse somatório de desgostos e de informações negativas, dez senadores não vieram votar: nove da base e um da oposição. Pelas minhas contas a gente ganhava com oito votos mesmo sem esses senadores. Mas, no voto secreto, perdemos. Por conta dessa situação, a presidente optou por fazer o rodízio nas lideranças.
O senador Eduardo Braga chegou à liderança dizendo que vai inaugurar "novas práticas" no Senado. Isso não ofende o senhor?
Falei com Eduardo Braga sobre isso. Ele disse que não tinha se referido ao nosso trabalho. Quem pode falar de novas práticas é ele. O que eu fiz aqui ele continua fazendo. Não houve, enquanto eu fui líder aqui, nenhuma prática recriminável. A responsável pela articulação política do governo é a ex-senadora Ideli Salvatti.
Como o senhor avalia a condução da ministra? Está ali um dos focos dos problemas?
A Ideli se esforça, a interlocução melhorou, mas precisa ser ampliada, ainda não é boa. O governo precisa fazer mais política. Precisa conversar e precisa conscientizar a máquina, os ministros, o Executivo como um todo, de que a relação entre o Executivo e Legislativo é legítima.
A presidente não tem perfil político e há reclamações sobre a coordenação política. Como resolver os conflitos?
Diria que a prioridade do governo hoje é o foco administrativo. A presidente gosta da gestão. Então, precisa se fazer um esforço no sentido de atuar na linha política também.
Esse clima que se instalou na base não pode contaminar em definitivo a relação entre Executivo e Legislativo?
Acho que quando surgem problemas, eles não devem ser amplificados. Tem que se ter maturidade política para circunscrever os problemas ao seu tamanho. Sempre agi como bombeiro. Quem está cuidando hoje, os líderes do governo, a coordenação política, têm que atuar como bombeiro.
A saída da ministra Ideli seria uma alternativa para resolver o problema?
Se eu disser que é [uma solução], pode parecer um pouco de mágoa, e eu não tenho. Se eu disser que não é, então podem dizer que "então está tudo bem". Eu acho que a discussão não é mudar as pessoas, mas ampliar a forma de ação. E aí cabe à presidente.
Como o senhor explica ter sido líder de um governo do PSDB, do PT de Lula e, agora, de Dilma? O senhor se incomoda com a frase "muda governo, mas Jucá é sempre o líder"?
Sempre tomei isso como elogio, porque nos três governos não mudei minha forma de pensar, nem minha forma de agir, nem o que eu defendia. Ao mudar de um governo para o outro, não mudei o que eu defendia.