Milhares de pessoas se manifestaram nesta quinta-feira na localidade de Sanford (Flórida) para exigir a detenção do segurança que confessou ter matado um adolescente negro desarmado alegando defesa própria, em um caso que ganhou um viés racial e provocou todo tipo de críticas.

"Há 26 dias, o jovem Trayvon Martin foi a uma loja para seu irmão. Voltou e perdeu a vida", disse o reverendo afro-americano Al Sharpton diante da multidão.

"Trayvon é a representação de um temerário desprezo pela vida. (O vigilante voluntário George) Zimmerman deveria ter sido detido naquela noite. Você não pode defender-se de um pacote de balas e um chá gelado", defendeu o reverendo em relação às compras que o adolescente levava quando foi assassinado. Tracy Martin, o pai do adolescente morto, acrescentou: "queremos a detenção. Queremos uma condenação pelo assassinato de nosso filho".

Milhares de pessoas acudiram a esta concentração na pequena localidade de Sanford, nos arredores de Orlando (Flórida), desde várias partes dos Estados Unidos.

Zimmerman, um homem de 28 anos que vigiava voluntariamente a comunidade onde vivia, está protegido pela polêmica lei de defesa própria promulgada em 2005 na Flórida. Esta lei, vigente em mais de 20 Estados do país, ampara quem recorre a "medidas de força letais" para defender-se diante de uma ameaça.

Desde o primeiro momento, as autoridades locais deram por suficiente a versão de Zimmerman e, embora ainda investiguem os fatos, decidiram não detê-lo. Essa decisão tão criticada fez com que o chefe da polícia de Sanford, Bill Lee, anunciasse nesta quinta-feira seu afastamento temporário.

Embora vivesse com sua mãe aos arredores de Miami, o adolescente fora visitar o pai em 26 de fevereiro. Neste dia, Zimmerman chamou a polícia para alertar que tinha visto "um negro suspeito", ao que a operadora respondeu que não interpelasse o jovem.

Quando os agentes chegaram, porém, encontraram o adolescente morto no chão. O segurança, de origem hispânica, explicou que agira em defesa própria.