A bancada do PT na Câmara decidiu ontem que não vai apoiar o texto aprovado pela comissão especial da Lei Geral da Copa que liberava expressamente a venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante as Copas das Confederações de 2013 e do Mundo de 2014.
Os petistas querem retomar o texto original do governo, que apenas retirava a proibição presente no Estatuto do Torcedor, e deixar para a Fifa a tarefa de negociar com Estados e municípios onde o comércio é vedado por leis locais. A base busca acordo para colocar o projeto em votação nesta semana no plenário.
O relator do projeto, Vicente Cândido (PT-SP) vai alterar seu texto para atender à decisão do partido. Contrariado, ele ressaltou que a mudança pode criar dificuldade no cumprimento do acordo firmado entre o governo federal e a Fifa ainda em 2007. "Acho que ficou resolvido porque a Fifa terá de negociar com governos que não assumiram compromissos com ela". Segundo ele, em 7 das 12 sedes há leis locais que proíbem o comércio.
O líder do governo, Arlindo Chinaglia(foto) (PT-SP), diz que vai discutir o tema ainda com outros partidos da base. Para ele, porém, o texto original do governo já atende ao que foi assinado por Lula. Ele ressalta que a garantia dada à Fifa não era específica sobre bebidas alcoólicas. "Existem algumas sutilezas". O texto do acordo fala que o País não poderá proibir o comércio de comidas ou bebidas de patrocinadores da entidade. Jilmar Tatto (PT-SP), líder do partido, diz que a opção pelo texto original é por ele ser mais "claro".
A decisão dos petistas é mais um capítulo nas idas e vindas do governo sobre o tema. Na semana passada as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais) chegaram até a negar a existência de um compromisso com a Fifa. Corrigidas pelo ministro Aldo Rebelo (Esporte), reconheceram o erro, mas setores do governo passaram a defender não ser necessária liberação expressa do comércio por lei federal.
Se o Congresso confirmar a aprovação do texto original do Executivo, a Fifa terá de negociar com governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Isso menos de 15 meses antes da Copa das Confederações.
