O enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, advertiu nesta quinta-feira no Cairo sobre as consequências de uma hipotética intervenção militar na Síria, que, segundo sua opinião, pioraria a situação.

"Acho que qualquer aumento das operações militares causaria uma deterioração da situação e a pioraria", afirmou Annan em entrevista coletiva conjunta com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Araby.

Annan preveniu as consequências para a região de "uma má gestão" da crise. "Não queremos que a solução conduza ao aumento dos problemas, devemos ter cuidado quando falamos deste assunto", garantiu.

Por esse motivo, pediu continuar com os esforços diplomáticos para deter a violência na Síria e citou como exemplo a iniciativa árabe e a resolução da Assembleia Geral da ONU, que contêm "boas propostas" que ele analisará com as diferentes partes em busca de uma solução negociada.

"É preciso pôr fim aos assassinatos e começar as reformas", exortou o enviado especial, que classificou a situação de "muito grave", tanto para os cidadãos sírios quanto para toda a região.

"Isto não pode continuar assim, a violência e os assassinatos devem cessar imediatamente", sentenciou.

CONSENSO SOBRE MEDIAÇÃO

Kofi Annan destacou que conta com o apoio de toda a comunidade internacional para realizar a missão e ressaltou o consenso sobre a necessidade de um único processo de mediação.

A esse respeito, Araby explicou que durante os contatos entre a Liga Árabe e a ONU sobre as tentativas de mediação houve um acordo para definição de um só interlocutor conversando com as duas partes.

O responsável pan-árabe lembrou que Annan viajará à Síria no sábado em uma missão "muito importante para pôr fim a esta situação tão triste" e indicou que o que agora se pede é o fim dos combates e a chegada de ajuda humanitária.

Araby apontou que, desde o princípio, a Liga Árabe apostou pela via política para resolver o conflito com medidas como o envio de observadores.

EGITO

Annan, principal responsável das Nações Unidas entre 1997 e 2006, se reuniu nesta quinta-feira com o ministro das Relações Exteriores egípcio, Mohammed Amr, quem informou da postura egípcia para solucionar o conflito sírio, que defende uma resolução pacífica da crise sem internacionalizá-la.

Durante sua estadia no Egito, Annan se reunirá com vários ministros das Relações Exteriores árabes que começarão a chegar ao Cairo nesta sexta-feira para assistir a uma reunião no sábado com o chanceler russo, Sergei Lavrov.