Policiais militares da Bahia realizam nesta terça-feira um protesto em frente à Assembleia Legislativa, durante a sessão que votará o projeto de pagamento das Gratificações da Atividade Policial (GAP) IV e V. Cerca de 150 manifestantes, entre policiais da ativa e da reserva e familiares, usam palavras de ordem e cartazes para pressionar os parlamentares.
O protesto estava marcado há semanas, mas cercado por expectativas de que pudesse reeditar as tensões da greve da PM, ocorrida em fevereiro último. Entretanto, de acordo com o presidente da Associação dos Profissionais de Polícia e Bombeiros Militares do Estado da Bahia (Aspol), tenente José Lourenço Dias, todos os PMs presentes na ocasião estão desarmados e farão uso apenas das próprias vozes na reivindicação.
A intenção é fazer os deputados excluírem do projeto final dois artigos. "O primeiro é um que deixa de fora da GAP os aposentados, pensionistas, bombeiros e trabalhadores administrativos. O segundo é aquele que só concede a GAP com o crivo do superior hierárquico. Ou seja, se o seu superior decide que você não merece ganhar a GAP, você não ganha e pronto", resume o tenente Dias. Segundo ele, o último ponto é o mais polêmico, porque pode promover "vinganças" dentro da corporação e uma suposta meritocracia baseada apenas no julgamento pessoal do superior.
Dias esteve reunido juntamente com outras associações de policiais e uma série de deputados na Assembleia para definir atitudes institucionais quanto a outras reivindicações da tropa. Após horas de debates, ficou decidido que um grupo de parlamentares da Comissão de Direitos Humanos da AL irá ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), Tribunal de Justiça, Comando da PM, Justiça Militar e governo do Estado para pedir soltura dos policiais presos durante a greve e revogação de todos os pedidos de prisão ainda pendentes.
O deputado Capitão Tadeu (PSB), que trabalhou como mediador entre os PMs grevistas e o governo do estado no motim do mês passado, argumentou que todas as reivindicações são justas e que a vigência das prisões e mandados é uma "afronta ao Estado de Direito". Sobre uma possível quebra do acordo firmado, Tadeu afirma não querer pensar na possibilidade. "Sinceramente, eu espero que ele seja cumprido", resumiu.
A sessão começou por volta das 15h, mas tanto o tenente quanto o deputado imaginam que o resultado final da sessão só será conhecido no início da noite. A partir das 14h, os deputados fizeram as últimas reuniões para debater o assunto e, logo depois, tomaram lugar no plenário, que tinha a parte reservada para o público totalmente tomada pelos policiais. Logo após, o protesto na entrada da AL começou.