O reajuste da passagem de ônibus em Maceió foi duramente criticado pelos vereadores que, durante a sessão ordinária da Câmara Municipal desta terça-feira (28). Na semana passada o desembargador Washington Luis concedeu uma liminar à Associação de Transportadores de Passageiros de Alagoas (Transpal) autorizando o aumento da tarifa que passou de R$ 2,10 para R$ 2,30.

O vereador Ricardo Barbosa sugeriu a criação de uma CEI para investigar alguns questionamentos sobre a Transpal. De acordo com o petista, a sociedade maceioense precisa saber qual é a arrecadação financeira mensal da Transpal.

“Não podemos aceitar que seja imposta à população o aumento da passagem de ônibus e ponto final. Queremos saber se o reajuste é mesmo necessário ou atende ao desejo, apenas, dos empresários”, colocou o vereador.

Ele acrescentou que a Câmara Municipal precisa dar uma resposta à altura a Transpal, que vem atuando sem qualquer fiscalização do Legislativo Municipal. “Estão agindo como se a Casa de Mário Guimarães não existisse. Aprovamos um requerimento cobrando respostas à Transpal sobre os motivos alegados para o aumento da passagem, mas apesar da solicitação, a Associação ignorou os vereadores e não enviou qualquer tipo de informação sobre os motivos do reajuste. Assim como toda sociedade maceioense, também estou cansado e sem paciência. Estamos sendo obrigados a ficar sofrendo nas mãos dos empresários”, frisou Ricardo Barbosa.

O vereador Oscar de Melo (PP) disse que milhares de maceioenses foram surpreendidos com o aumento da passagem. “Faço questão de participar dessa CEI, pois é de conhecimento geral que a qualidade do transporte coletivo em Maceió é caótica. E a forma como esse reajuste foi concedido, sem qualquer aviso prévio, é inadmissível”, salientou Oscar de Melo.

Os vereadores Paulo Corintho, Marcelo Malta, Théo Fortes, Tereza Nelma (PSDB) e Heloísa Helena (PSOL) também criticaram o amento da passagem e declararam apoio à instalação da CEI. O requerimento de instalação da comissão, com a assinatura dos parlamentares, deverá ser votado e aprovado na sessão de amanhã (29).

CEI da Violência

Ainda durante a sessão, o presidente da Câmara Municipal de Maceió, vereador Galba Novaes (PRB), declarou que 14 vereadores solicitaram fazer parte da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigará as causas da violência e homicídios entre jovens em Maceió (CEI da Violência). A referida Comissão foi aprovada pela Casa de Mário Guimarães antes do período de Carnaval, mas instalada oficialmente na sessão ordinária desta terça-feira.

Galba Novaes demonstrou o desejo de presidir a CEI, mas o regimento interno da Casa o impede, como presidente da Câmara, de fazer parte de qualquer Comissão. Contudo, pela ordem de solicitação, foram indicados os vereadores Ricardo Barbosa (PT), Paulo Corintho (PDT), Théo Fortes (PTdoB), Marcelo Malta (PCdoB), Marcelo Gouveia (PRB) e Netinho Barros (PSC) e João Luiz (DEM).

Também fará parte da CEI da Violência, como consultor técnico, o ex-secretário municipal e militante da área dos Direitos Humanos, Pedro Montenegro. Os vereadores querem se apoiar em estudos feitos por Montenegro e no trabalho desenvolvido no Ministério da Justiça.

“Apesar do regimento desta Casa me impedir de fazer parte dessa Comissão, não irei faltar a nenhuma sessão e irei acompanhar de perto, fornecendo subsídios e contribuindo com as investigações”, afirmou Novaes.

Índice de criminalidade

Como é de praxe, toda terça-feira, o presidente Galba Novaes faz um relato da violência em Maceió. Segundo ele, o Instituto Médico Legal (IML) registrou, no último final de semana, 19 assassinatos na capital. “Um fato que chamou atenção foi o assassinato de uma senhora de 61 anos, em Satuba, e outro de um jovem de 19 anos, espancado até a morte, no Village Campestre. Estamos com uma média de 80 assassinatos por mês em Maceió. É um índice muito alto, comparado a países em guerra”, lamentou Novaes.