Ronaldinho marcou sua carreira pelos dribles. Porém, se no ano passado o brilho - ou melhor, a falta dele - já despertou cobrança da torcida, em 2012 tal diferencial parece cada vez mais esquecido no fundo do armário.

A queda brusca no número de dribles e o aumento notável de bolas levantadas na área (veja o comparativo no quadro abaixo), porém, não são sinônimos de praticidade. O Footstats, empresa que fornece estatísticas mostra que Ronaldinho tem participado menos dos jogos. Ele tem ficado menos com a bola nos pés. O número de passes certos também diminuiu. Após a derrota para o Vasco, na noite de quarta-feira, o próprio craque aparentava insatisfação com o baixo rendimento. Sabe que a cobrança por resultados será cada vez maior.

Ronaldinho Gaúcho chegou no começo de 2011 com a tarefa de fazer a diferença. Não se esperava que ele pudesse se comportar como um gênio em todas as partidas. Nem Pelé foi capaz disso. Só os mais fanáticos, aliás, imaginaram que o craque repetisse o desempenho dos tempos de Barcelona.

Assim, se é absurdo afirmar que R10 brilhou efetivamente no ano passado, é um exagero garantir que fracassou por completo. Em 2012, no entanto, também por causa das muitas confusões que agitaram o clube, Ronaldinho Gaúcho ainda não justificou a expectativa.

O salário que recebe tem sido proporcionalmente inverso ao que vem mostrando dentro de campo, pois não fez a diferença em momento algum, atuando como um jogador comum - notadamente nos três clássicos que participou, que é quando a torcida, é claro, mais exige dos ídolos.

Logo, as críticas acabam se tornando mais agudas, e às vezes agressivas. Ronaldinho esteve muito mal contra o Vasco? Nem tanto. O problema é que jamais conseguiu desequilibrar. Não é nem questão de ter ou não vontade de jogar. Mas de não ser ousado, ou seja, de não fazer aquilo que dele se espera, que é o diferente. De todo jeito, 2012 está só começando.