O ex-secretário de Esportes do governo regional das Ilhas Baleares, no mar Mediterrâneo, José Luis Ballester declarou neste sábado que Iñaki Urdangarin, genro do rei da Espanha, e Jaume Matas, ex-governador regional, mantinham negociações milionárias. Ballester depôs como acusado durante quatro horas e meia perante o magistrado José Castro, instrutor do caso aberto contra Urdangarin e seu sócio Diego Torres por suposto desvio de fundos públicos e fraude através do Instituto Nóos.
Em seu depoimento, segundo informaram fontes jurídicas, Ballester explicou que o genro do monarca espanhol e Matas pactuaram negócios no valor de quase 3 milhões de euros entre 2004 e 2007. Reconheceu, além disso, ter sido intermediário entre o então chefe do executivo balear e o marido da princesa Cristina, filha mais nova do rei da Espanha.
No entanto, Ballester esclareceu que as decisões que representaram a entrega de fundos públicos de forma supostamente fraudulenta corresponderam ao ex-governador e a outros altos funcionários do governo autônomo balear da época. Urdangarin e seu sócio, Diego Torres, são acusados de obter 6 milhões de euros de fundos públicos, em parte graças a contratos com os governos regionais de Baleares e Valência.
Além disso, segundo documentos encontrados pela polícia em registros relacionados com este caso, Urdangarin e Torres criaram supostamente uma trama de sociedades para desviar os fundos captados pelo Instituto Nóos, e enviar parte deles ao paraíso fiscal de Belize.
No final do ano passado, a Casa Real espanhola decidiu excluir Iñaki Urdangarin de suas atividades oficiais, alegando que seus negócios pareciam apresentar irregularidades.