Enquanto Thomaz Bellucci e Leonardo Mayer faziam o jogo mais polêmico do Aberto do Brasil na noite desta sexta-feira, Nicolás Almagro saboreava uma picanha em uma churrascaria de São Paulo. Após bater o compatriota Albert Ramos neste sábado, o principal favorito ao título do torneio minimizou o peso que a torcida exercerá no Ginásio do Ibirapuera em caso de uma final com o brasileiro.

"Hum... não vi a partida de ontem, não sei o que aconteceu", disse Almagro. O tenista, que já triunfou no Brasil Open em 2008 e 2011, pode se tornar o maior campeão da história do torneio com três títulos, superando a marca de Gustavo Kuerten, vencedor em 2002 e 2004.

Entre 2001 e 2011 o evento era organizado na Costa do Sauípe, e nesta temporada se mudou para a capital paulista. Com um bom histórico na Bahia, o espanhol apontou que sempre se sentiu "querido" quando atuou no Brasil. "Não há falta de respeito com os jogadores. A torcida brasileira é extraordinária", afirmou.

Na sequência da entrevista coletiva ocorrida após a vitória deste sábado por 6/4 e 7/6 (7-4) sobre Ramos, um jornalista explicou o que exatamente ocorreu na sexta, quando os torcedores vaiaram constantemente Mayer e a partir do segundo set começaram a comemorar cada erro de primeiro serviço do argentino. Em duas horas e 36 minutos, Bellucci saiu de uma desvantagem de 5/3 na terceira parcial para vencer por 3/6, 6/2 e 7/5.

"Estava comendo picanha", afirmou Almagro, aos risos, contando o que fazia no momento daquele confronto, que terminou por volta das 0h30 (de Brasília) de sábado. "Realmente a partida joga-se contra Bellucci, não se pode jogar contra 9 mil pessoas, não se pode perder tempo jogando contra as arquibancadas. É lógico e normal que se anime o jogador da casa. Na Espanha também quero que as pessoas me incentivem a cada momento, todo mundo gosta de jogar assim. Mas insisto: joga-se contra uma pessoa, não contra todo o público".

Na sexta-feira, cerca de 7.300 fãs compareceram ao Ibirapuera, que tem capacidade para 10 mil pessoas e estava lotado durante o êxito de Almagro sobre Ramos. "Segue sendo uma final a mais no Brasil. Tenho dois títulos, sempre que jogo aqui me encontro muito feliz e tranquilo. A partida de hoje (sábado) foi dura, sabia que seria complicada em todos os momentos. Meu rival tinha a oportunidade de fazer a primeira final. Ele tem um tênis muito bonito e saca bem", elogiou, citando o compatriota, 23 anos, que disputava uma semifinal inédita em um ATP e é o 64º colocado do ranking.

Para o encontro entre Almagro e Bellucci se confirmar, o brasileiro, número 38 do mundo, precisa passar pelo italiano Filippo Volandri, o 69, também nesta tarde. Enquanto ainda não tem definido o adversário, o espanhol ex-top 10 segue pensando naquela boa picanha. Questionado se gostou da carne brasileira, ele confirmou, sorrindo: "sim".