Roberval Davino já passou por mais de 50 clubes na carreira, é experiente no futebol e cheio de histórias para contar. Com tanto tempo à beira dos gramados, o treinador já viu de tudo no mundo da bola e, por isso, resolveu dividir a sua experiência. O treinador, hoje no Catanduvense, também ataca de escritor e já escreveu dois livros.
Roberval sempre gostou de literatura, mas a ideia de escrever só veio mais tarde. Quando era jogador, chegou a publicar artigos em jornais. Mantém o hábito de ler nas concentrações. Ele lamenta o fato deste comportamento ser incomum no futebol.
– Hoje, o jogador é muito na dele. Gosta só de ficar no computador. Analisa tudo, menos o adversário, o futebol, a cultura. Ele está focado muito nele e pouco no mundo. Acho também que somos carentes de literatura do esporte. Tem poucas coisas sobre o assunto, e o que tem, ninguém sabe conhece.
Seu primeiro livro foi “O Rugido do Leão”, que fala sobre a saga do Remo, campeão da Série C, em 2005. Conquistar um título para uma torcida apaixonada, jogando em estádios em más condições, o inspiraram. Colecionou várias histórias no Pará, mas a que mais marcou foi quando ele desembarcou em Belém para assumir a equipe.
– Eu era desconhecido, desembarquei às quatro da manhã, e o saguão estava lotado.Saí sem entender. Quando entrei no táxi, perguntei o motivo para tanta gente estar ali. O mototista, então, explicou que era porque iria chegar o técnico do Remo. Eu cheguei e não notaram (risos).
Ele também escreveu o livro “Casos que vi, ouvi e até inventei”, em parceria com o jornalista Vinícius de Paula. Nele, registrou histórias curiosas presenciadas em sua carreira no futebol e até se arriscou escrevendo um conto, que abre o livro. A história inventada é de uma “Maria Chuteira” que sonha ter um filho jogador de futebol e por isso se relaciona com famosos da bola.
As demais histórias são todas verídicas, mas já há tantas novas que Davino planeja escrever uma sequência - "Casos que vi, ouvi e até inventei, parte 2". Enquanto a nova publicação não vai para o papel, confira algumas histórias de seu primeiro livro:
Vários minutos de silêncio
"Em uma das minhas passagens pelo CRB, fizemos um jogo amistoso em uma cidade de Alagoas, Jequiá da Praia, contra a seleção do município. No dia da partida, faleceu a mãe do prefeito e houve "o minuto" de silêncio mais longo da história. O prefeito entrou no estádio dizendo que só um minuto era pouco para a mãe dele. Ele pediu cinco e depois mais cinco minutos. Foram dez minutos, um olhando para a cara do outro".
Jogador casado não joga
"Estive um ano no Guarani e tivemos dificuldades para montar a equipe. O teto salarial era 4 mil e os jogadores tinham de ficar no alojamento do estádio. Não havia atleta casado que quisesse ir para lá, pois não poderia levar a mulher. Trabalhei só com solteiros".
Leitura de pensamento
"O Cilinho me contou uma história de quando ele era técnico da Ponte da Preta. O Mário Xavier, volante da Macaca, recebeu a bola na linha de fundo e se preparava para cruzar. Antes da bola sair do pé dele, o Cilinho ordenou: 'Não faz isso, é na outra trave'. Não sei como o Cilinho soube que seu jogador iria cruzar no primeiro pau, em vez do segundo. Foi uma leitura de pensamento".
