São Paulo vai abrigar, nos dias 10 e 11 de março, a segunda edição no Brasil do The Union, maior evento de computação gráfica da América Latina. Este ano, o evento - promovido pela brasileira Saga (School of Art, Game and Animation - www.saga.art.br) e pela norte-americana Gnomon School of Visual Effects (www.gnomonschool.com) - voltado para estudantes e profissionais de computação gráfica, cinema, games, artes, publicidade e animação, será realizado no Anhembi Parque. Na programação constam alguns dos maiores artistas digitais do mundo, e um dos destaques é o brasileiro Alex Cancado, coordenador de finalização da Luma Pictures, que trabalhou em filmes como Piratas do Caribe 3, Capitão América, Thor e Harry Potter 6.

Em uma entrevista divulgada ao Terra pela organização do evento, Cancado fala do seu trabalho, do gosto pela música, de como chegou ao mundo da computação gráfica e da alegria de trabalhar no estúdio em que um dos donos, Jonathan Betuel, é o escritor de um de seus filmes favoritos de ficção científica (O último guerreiro do espaço), que ele via sempre "mesmo quando já se repetia pela quinta vez na semana". Confira abaixo um pouco mais sobre Alex Cancado.

O artista brasileiro, 33 anos, nascido e criado em Belo Horizonte (MG), conta que caiu "de paraques" nesta área da computação, pois começou ainda criança estudando música, que foi sua vida até a faculdade. Ao perceber que não queria trabalhar com música diretamente, optou pelo curso de Publicidade e Propaganda porque poderia atuar com jingles, unindo música e criatividade. "Mas na verdade, aconteceu algo na faculdade que mudou meus planos: quando estava a caminho do laboratório de rádio da Puc Minas (faculdade onde me formei), passei em frente de uma ilha de edição não linear, era assim que se chamava na época a ilha de edição digital. Acho que depois desse dia, a visão de um computador não saiu mais da minha mente. Desse momento em diante comecei a editar vídeos, documentários, e aprendi After Effects com um amigo, o Paulo Emilio, hoje dono da "Brokolis", uma das mais bem conceituadas produtoras de Belo Horizonte. Também optei em trabalhar mais em motion graphics e menos com edição, até que resolvi vir para os Estados Unidos fazer um curso de Maya de duas semanas na Gnomon. Claro que as duas semanas só me fizeram querer aprender mais, mas também me ajudaram a decidir fazer o curso completo de um ano e meio. E finalmente, ao longo desses quase 15 anos de muito esforço, estudo, ajuda de amigos, e muita sorte, aqui estou eu até hoje, fazendo o que gosto realmente de fazer", afirma. Hoje, diz ele, não se imagina trabalhando em outra coisa.

Ao falar dos trabalhos, Cancado cita Percy Jackson e o ladrão de raios como o que apresentou mais dificuldades, com problemas de ordem técnica. "Tivemos que fazer toda a sequência da personagem Medusa com a atriz Uma Thurman", explica. Ele diz não ter exatamente um trabalho de que se orgulhe mais. "Fico sempre feliz com 'quase' todos os filmes que faço", afirma, acrescentando que prova disso é que ele compra os DVDs de todos os filmes em que trabalha, mesmo que eles não sejam tão bons ou interessantes. "Trabalhar em efeitos visuais nem sempre é sinônimo de trabalhar só em filmes bons hoje", afirma.

Mas se tiver que escolher o filme que o deixou mais feliz, o artista não tem dúvida: "eu escolheria o Piratas do Caribe: no fim do mundo, o terceiro da série". E explica o motivo: "mesmo sendo um trabalho menor, com apenas 30 cenas e somente três meses para terminar tudo, foi um projeto muito mais complexo do que as pessoas imaginam. E o mais importante, foi um momento especial, pois era como se estivéssemos naquele momento, entrado para a 'primeira divisão'. O cliente era muito importante e o filme trazia grandes desafios, com personagens, muita água, barcos, céu, cenas complexas e interessantes. Mais do que um trabalho do qual me orgulhei, foi um momento que ficou e ficará marcado para sempre em mim".

Para quem sonha em trabalhar na área de efeitos visuais, Cancado tem boas dicas. Simplicidade e bons contatos, por exemplo. "Muitos fazem trabalhos que a gente fica de boca aberta com tamanho talento, mas quando se analisa mais de perto, nota-se que a técnica ou o modo como o trabalho foi realizado não poderia ser utilizável na prática. Por exemplo, alguém faz uma ilustração magnífica, mas que não funcionaria quando em movimento. Por isso muitas vezes, fazer coisas até mais simples, produz maior funcionalidade. Outra coisa a ser analisada é o contato. Infelizmente saber com quem contar, e para quem mandar o trabalho é uma das coisas mais importantes, depois é claro, que tiver o seu trabalho pronto e com uma boa qualidade técnica.", ensina.

Cancado diz que "mal pode esperar" para chegar ao The Union, já que sempre sonhou em passar para outras pessoas no Brasil pelo menos um pouco do que conseguiu acumular desde que se mudou para os Estados Unidos, no início dos anos 2000. "Sei o quanto nosso povo é talentoso e os artistas são incríveis, precisando às vezes, só de um pouco mais de incentivo para poderem sair e mostrar pra todos do que são capazes", diz. Por não ter conseguido mais contatos com empresas e artistas de efeitos no Brasil, Cancado ficou muito empolgado quando foi contratado pela Gnomon e pela Saga. "Minhas expectativas são as melhores, pois a equipe de artistas e profissionais que está indo para o Brasil é das melhores. Cada um deles é mais interessante que o outro", recomenda.

As palestras do The Union serão realizadas no palácio das convenções do Anhembi Parque, (Av. Olavo Fontoura, 1209), no Auditório Celso Furtado. Os ingressos já estão à venda online, com preços por dia que variam de R$ 150 a R$ 600 ou pacotes promocionais para os dois dias com preços de R$ 200 a R$ 850. Para mais informações e compra de ingressos, visite o site www.theunion.com.br.