É legítimo (e até mesmo natural) que prefeito Cícero Almeida (PP) aponte um nome para sucedê-lo no processo eleitoral vindouro hipotecando seu apoio a este como continuidade de sua administração. O resto fica por conta do eleitor. É assim com todo político em segundo mandato majoritário, pois – na maioria das vezes – este possui grupo formado, possíveis nomes trabalhados juntos a outros possíveis aliados e até mesmo junto à massa.

O problema para o prefeito Cícero Almeida é que a legitimidade não encontra viabilidade. Ele não faz parte da maioria dos políticos que pavimentam – durante o segundo mandato – o caminho do sucessor. Assim, Almeida não tem grupo formado, não possui futuros nomes trabalhados (o único é de Mozart Amaral; e se questiona a densidade eleitoral deste) nem junto aos aliados, muito menos próximo das massas.

Ao longo de uma carreira política meteórica, o prefeito Cícero Almeida é um personagem que fez de tudo (em termos de mandatos: passou por Legislativo e Executivo), inclusive acumulando recordes de votação e popularidade. Só não se tornou senhor de suas próprias decisões e destinos políticos. Titubeia, tergiversa, se contradiz, muda de lado e de amigos íntimos de uma forma tal que tanto impressiona quanto incomoda alguns próximos a ele neste momento. O próprio Almeida deve saber disto!

Foi por conta disto que não foi candidato em 2010. É por conta disto que tem dificuldades de apresentar um nome de sua confiança para 2012. Pode até ser que Mozart Amaral seja pré-candidato pelo PMDB com o apoio do prefeito Cícero Almeida na busca por consolidar tal pré-candidatura. Mas, respondam rápido: quem comanda o PMDB é Almeida ou...? Logo, o apoio de Almeida a Amaral depende de costuras que passam por um tabuleiro de xadrez político onde a influência do chefe do Executivo municipal sofre outras interferências.

Cícero Almeida ganhou um ponto a seu favor. O deputado federal João Lyra (PSD) – que já chegou a ser cogitado como possível pré-candidato à Prefeitura de Maceió – mandou avisar que quem decide o sucessor é Almeida. Apoio em boa hora. Mas, significa muita coisa dentre os nomes que estão expostos? Da base do prefeito que está no PP, mas não é do PP até onde se sabe, sairá mais de um candidato. O PR, por exemplo, pretende lançar Maurício Quintella. O PT discute alianças ou candidatura própria, que necessariamente pode não passar pelo nome almeidista.

Indiretamente, vale ressaltar, os senadores Fernando Collor de Mello (PTB) e Renan Calheiros (PMDB) devem participar da disputa eleitoral, contribuindo para “direcionar” o apoio do prefeito Cícero Almeida. O presidente da Câmara Municipal, Galba Novaes (PRB) – que trabalha a sua pré-candidatura – também busca o apoio do atual chefe do Executivo. Este apoio tem sua importância e ninguém nega. Resta saber de que forma ele será dado ou conquistado. Portanto, para a pergunta “quem decidirá o que Almeida pode ou não decidir?”, a resposta ficará por conta da conjuntura. É claro que o prefeito pretende decidir por seu nome e que os demais marchem com ele e não o contrário. Mas, o que é mais provável mesmo?
 

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