Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, o treinador Vanderlei Luxemburgo, demitido pelo Flamengo na quinta, fez críticas à diretoria e salientou o fato de não ter deixado o clube por resultados ruins. Luxemburgo, que venceu o duelo com o Real Potosí, da Bolívia, e colocou o Fla na fase de grupos da Copa Libertadores, admitiu ainda ter fechado os olhos para alguns problemas para não interferir nos dois jogos.

"Podem ter certeza absoluta que em função dos jogos mais importantes, para completar a etapa do trabalho, preferi puxar o freio de mão. Vocês (jornalistas) não são idiotas e se falava no meu comportamento, que dei uma entristecida, mas sou profissional do futebol", disse Luxemburgo.

"Tenho que me focar nesses dois jogos, independente dos problemas externos. Foquei nos dois jogos porque tinha a obrigação de colocar o Flamengo na Libertadores e concluímos agora. Tinha que completar o trabalho sem a parte externa atuar no que estava acontecendo. Foquei e consegui terminar o projeto", analisou. Ronaldinho, que ganhou apoio da diretoria na queda de braço com o treinador, não foi citado nominalmente.

"Pelo objetivo de ir à Libertadores, preferi aceitar, entender e conviver com aquilo que não me deixava sadio e tranquilo", disse Luxemburgo. Indisposto, Ronaldinho dormiu durante treinamento na pré-temporada em Londrina e também teria levado uma mulher para a concentração do Flamengo.

"No ano passado, eu até fechei os olhos para algum comportamento inadequado de profissionais porque tinha de classificar para a Libertadores", recordou. "Todas as vezes que alguém chegava fora do horário, sem condições de treinamento, era passado para a diretoria. Se esse elo falhou, não foi problema meu. Não era um comportamento ideal e na frente poderia trazer problemas. Eu fui demitido não pelo resultado, mas por um mês de problemas que não pertenciam ao campo".