O vigário geral da Diocese de Palmeira dos Índios, padre Odilon Amador dos Santos, 83 anos, anunciou hoje que deixará a administração paroquial da Catedral de Nossa Senhora do Amparo.

O anúncio foi feito através de uma carta aberta que o mesmo enviou às famílias católicas da cidade, na qual solicita doações para o que considera o seu último melhoramento na histórica igreja que testemunhou a atividade literária de Graciliano Ramos: a pintura geral da mesma.

"Dediquei toda a minha mocidade e boa parte da minha velhice a esta paróquia. Já não tenho mais a mesma disposição de outrora", contou-me ele em sua residência, hoje à tarde. "Me tenho sustentado na proteção de minha mãe, Nossa Senhora, na dedicada atenção de meu coadjutor, padre Antônio Bernardo (vigário paroquial), que me tem auxiliado, como o Cireneu, a subir os últimos degraus de meu Calvário, na compreensão e na caridade de nosso bispo Dom Dulcênio, e na firme fé do nosso povo".

Natural de Pão de Açúcar, no sertão alagoano, padre Odilon (que, apesar de possuir o título de monsenhor, nunca gostou de utilizá-lo) ingressou na carreira eclesiástica quando adolescente. Foi ordenado sacerdote em 1955, aos 23 anos de idade. No mesmo ano, chegou em Palmeira dos Índios, onde colaborou com o então pároco da cidade, o monsenhor Francisco Xavier de Macedo, até o ano do falecimento deste, em 1963. A partir daí, o padre Odilon assumiu a paróquia, até 1978, quando afastou-se do ministério sacerdotal. Retornando à vida eclesiástica, reassumiu a paróquia em 1984, permanecendo em sua administração até os dias de hoje.

Com a pintura geral da Catedral, o padre Odilon quer preparar o lugar da celebração dos 50 anos da criação da Diocese de Palmeira dos Índios. Isso quer dizer que, depois de agosto, poderá chegar ao fim o segundo paroquiato mais longo (43 anos) da história da bicentenária paróquia de Nossa Senhora do Amparo, ao lado do já referido monsenhor Macedo, atrás apenas do vigário Maia (52 anos)