Os três premiados do troféu Algema de Ouro - uma espécie de Oscar da corrupção, criado por movimentos que atuam sobretudo pelas redes sociais da internet - acabaram não comparecendo à premiação, realizada em uma manifestação no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista, nos Jardins. Por isso foram representados por manifestantes usando suas máscaras. A cerimônia de entrega, que já foi realizada no Rio, em 19 de janeiro, foi um bis para os "eleitores" paulistanos.
A Algema de Ouro, o prêmio máximo, acabou indo para José Sarney, que ganhou das votações realizadas entre internautas; a de prata, para José Dirceu; e a de bronze, para Jaqueline Roriz. Os três obtiveram, respectivamente, 59,5, 18,8 e 8,4% dos votos dados por cerca de 7 mil internautas.
Marcada para as 13h, a festa começou com uma hora de atraso devido a contratempos. Primeiro, o quórum de manifestantes, que em seu melhor momento beirou 40 pessoas. Depois, a proibição da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) de que um trio elétrico contratado para animar o evento parasse na movimentada avenida paulistana.
- Os corruptos também roubam o dinheiro de vocês, não só os nossos - argumentou ao funcionários da empresa Carla Zambelli, fundadora do Nas Ruas, um dos movimentos responsáveis pelo pleito diferenciado, ao lado da UCC (União Contra a Corrupção), da Marcha Pela Ética e do Revoltados on Line.
Depois que os manifestantes bloquearam duas das quatro faixas da Paulista, no sentido da Rua da Consolação, a CET concordou que o trio elétrico parasse alguns minutos, desde que depois se movimentasse pela avenida.
Democrático, o Vão Livre abrigou simultaneamente uma manifestação contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, encabeçada pelo cacique Kunuê Kalapalo, que vive com integrantes da sua tribo, os Kalapalos, no Embu das Artes, na Grande São Paulo.
