O ajudante de obras Alexandro Fonseca, 31, deixou nesta manhã o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio. Ele estava no interior do prédio que desabou, na noite de ontem, na região central da cidade, próximo ao Teatro Municipal.
Fonseca diz que levava material para o nono andar quando viu o teto desabando. "A minha primeira reação foi me jogar de volta ao elevador. Ele despencou em queda livre ficando preso entre o terceiro e quarto andar. No andar em que estava não teve explosão, não teve nada. Cheiro, só de tinta", disse.
Alexandro Fonseca é morador da Baixada Fluminense e tem quatro filhos.
"Na escuridão do elevador pensava que não veria mais meus filhos, minha família. A única luz que havia era a do celular".
Ele comentou que o telefone celular o salvou.
"Foi esse aparelho aqui. Fiquei conversando com um amigo a cada dez minutos. Ele me colocou para falar com um dos bombeiros que logo me acharam", conta.
O ajudante de pedreiro não sofreu qualquer ferimento.
Ainda estão internados o zelador do prédio, Marcelo Antonio Moreira, 50; André Luiz da Silva, 37, e Cristiane do Carmo, 28.
Moreira e Silva tiveram ferimentos leves. Os médicos esperam liberá-los até o fim do dia. Não há prazo para a liberação de Carmo.
Até o momento, foram registrados cinco mortes no desabamento. Mais cedo, a Prefeitura tinha apontado ainda que, ao menos, 19 pessoas estavam desaparecidas.
INTERDIÇÃO
Devido ao trabalhos no local do desabamento, a avenida 13 de Maio (onde ocorreu os desabamento) está totalmente interditada nesta quinta-feira.
A avenida Almirante Barroso também foi bloqueada entre a rua Senador Dantas e a avenida Rio Branco. Já Senador Dantas funciona com mão invertida entre a Almirante Barroso e a rua Evaristo da Veiga.
O metrô funciona normalmente hoje. Ontem, as estações Uruguaiana, Carioca, Cinelândia e Presidente Vargas precisaram ser fechadas devido ao desabamento.
DOAÇÕES DE SANGUE
O HemoRio, que coleta sangue para distribuir aos bancos dos hospitais do Estado, informou que precisa de doações devida ao desabamento. O HemoRio está aberto e funciona na rua Frei Caneca, 8, região central.
Segundo a assessoria de imprensa, o estoque já estava baixo, e algumas bolsas de sangue já foram encaminhadas ao Hospital Souza Aguiar, onde três feridos ainda estão internados.
DESABAMENTO
Os três prédios localizados ao lado do Theatro Municipal desabaram por volta das 20h30. O teatro não foi atingido, mas seu anexo, onde funciona a bilheteria, sofreu danos por causa dos escombros.
Pessoas que estavam em um edifício próximo usaram a luz de seus telefones celulares para chamar a atenção dos bombeiros e buscar socorro. Com as escadas cheias de escombros, não havia como sair. Um grupo de 30 pessoas foi resgatado.
Zelador de um dos prédios, uma das vítimas disse que o edifício Liberdade estava vazio quando houve o desmoronamento, mas de acordo com o analista de sistemas Fernando Amaro, 29, que estava no quarto andar do Liberdade, um grupo de 30 pessoas participava de um treinamento profissional no imóvel.
Às 21h30 houve um princípio de incêndio. De acordo com bombeiros, havia forte cheiro de gás no local. Jornalistas e curiosos foram afastados. Um cordão de isolamento mantinha todos a cerca de um quarteirão do local do desabamento.
Fiscais da CEG (companhia de gás do Rio) foram chamados para fechar as tubulações de gás, por medida de segurança. A empresa informou que não havia registro de reclamações de vazamento de gás no prédio, nem vistoria agendada. A Light desligou o fornecimento de energia nos arredores para evitar incêndios.