Era 26 de janeiro de 2001 e eu me preparava, junto com a Cristina e os meninos para irmos passar o final de semana na Pousada do Toque, do nosso querido Nilo.

Todos muito felizes, pois tinha sido reeleito vereador – meu segundo mandato - com mais do dobro dos votos da primeira eleição. A posse, no dia 1º de Janeiro, foi no Teatro Deodoro, numa solenidade bastante concorrida. Toda a nossa família presente, inclusive, alguns primos que moram em São Paulo que há muitos anos não nos víamos.

Entre arrumar uma mala e ajeitar os filhos, a conversa predominante naquela manhã era decidir a hora de partir. Chegamos à conclusão que o melhor era sairmos no fim da tarde com o “sol mais frio”.

O dia 26 de janeiro é, também, o dia do aniversário do meu cunhado Fifo.

Já perto da h ora do almoço, liguei para o meu amado pai, Galba Novaes de Castro, pois queria saber notícias de sua saúde, afinal, ele tinha concluído uma série de exames com o nosso amigo, respeitado médico, Dr. Aliomar Lins.

O Galbão, muita gente o chamava assim, contou detalhes de tudo, com muita felicidade, pois o resultado teria sido bem satisfatório, até mesmo, a ponto do Dr. Aliomar ter perguntado quando comemoraria o diagnóstico com uma deliciosa garrafa de vinho.

- Em breve, disse meu pai.
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O dia correu rápido, eram seis da tarde, com a noite já se anunciando, bagagem arrumada, tomamos destino ao litoral norte.

Já estava passando por Guaxuma, toca o celular.

Era o Fifo dizendo que meu pai tinha sentido um desconforto no Shopping Cidade e estava indo ao Hospital do SESI acompanhado do nosso motorista Edson e que eu fosse para lá.
Naquele instante eu me perguntava, como isso ocorreu se o res ultado dos exames deu tudo normal?

Pedi a Cristina para ligar para o Cid e o Aliomar, prontamente eles se dirigiram para lá, atendendo assim à nossa solicitação.

Ao chegarmos ao SESI, o clima estava tenso e o resultado que ninguém quer ouvir chegou logo: o caso era grave.

Tenho dois primos médicos, Claudovan e Emília, e foram eles os portadores da má notícia: infarto agudo.

A situação era a pior possível, todos se olhavam sem querer acreditar e, naturalmente, começamos a rezar e pedir ao Pai Supremo que intercedesse para que o pior não ocorresse.

Longas horas se sucederam e chegou a comunicação, desta vez por meio dos doutores Cid e Aliomar: teu pai, herói, não resistiu.

Naquele momento, tomado por uma imensa e invasiva tristeza que preencheu todo meu ser, comecei a chorar abraçado a minha querida mãe e, uma constante pergunta me martelava: por quê? Por quê? Por quê?

Inúmeras cenas, como um filme, vinham e iam à minha cabeça, freneticamente.

E é tão rápido, que em segundos eu me lembrava de todos os momentos vividos junto ao pai.

Imagino que todo bom filho, criado num ambiente de amor e carinho, sempre acha que seu pai é o melhor pai do mundo.

O velho Galba era diferente.

Além de achar que eu tinha o melhor pai do mundo, ouvia dos meus amigos (e não eram poucos) que queriam ter um pai como o meu.

E aí eu parava pra pensar; o que tem, na realidade, o meu amado pai que os pais dos outros não têm?

A resposta vinha claramente na minha mente. Nada mais do que atitudes que todo bom pai que ama sua família faz diariamente: dá carinho, conversa sempre, ouve muito, explica com sensatez o que é certo ou errado, não impõe e sim convence, e outras tantas qualidades que todos nós conhecíamos.

Assim, era o velho Galbão, amoroso, sincero, carinhoso, compreensivo, c ompanheiro e solidário. Às vezes, me pergunto se em algum momento da vida cometi qualquer ato de ingratidão para com ele. E a resposta é sempre não.

Passaram-se alguns anos da minha vida (acho que uns quatro) em que eu involuntariamente pegava o celular para ligar para ele e no mesmo momento lembrava que seu corpo não estava mais aqui.

Ás vezes me pego falando com ele, principalmente quando bate as lembranças dos inúmeros momentos vividos juntos.

É pai, você se foi, mas deixou muitas saudades e lembranças boas de todos os momentos que vivemos juntos. Pena que não conheceu seu neto Gabriel (meu quarto filho) nem o Nuninho, seu bisneto.

Acho que o único desejo seu não atendido foi... Não foi!

E, se teve algum que não o atendi, você não me disse.

Continuamos com muita saudades, porém, rezando e sabendo que: onde o senhor está, reina o amor. Amor este refletido por tudo aquilo que representou para todos nós, aqui nessa passagem terrena.

Não esqueço nunca daquele momento em frente ao Teatro Deodoro, quando você me disse, que a partir daquele momento se sentia um homem realizado, pois, a vida já tinha lhe proporcionado o prazer de me ver reeleito. Parecia uma despedida, que só vim refletir depois.

Te amo! Para Sempre!