O ex-deputado estadual e ex-vereador Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), esteve reunido com o presidente do PTdoB, Marcos Toledo, esta semana. O almoço entre os dois teve como pauta a análise da conjuntura da disputa da Prefeitura Municipal de Maceió. O PTdoB de Toledo tem como pré-candidata majoritária a deputada federal Rosinha da Adefal. Dentro do PT, Paulão busca espaço para consolidar uma possível pré-candidatura.
Entretanto, o PT não depende apenas das esferas municipais e estaduais. A decisão de marcar posição ou não nas eleições municipais de 2012, em Maceió, será da Executiva Nacional, conforme bastidores. Pode ser que o partido não lance candidato e abra espaço para apoiar alguma majoritária dentro de seu campo de aliança, onde se encontra o PMDB (senador Renan Calheiros), o PRB (presidente da Câmara Municipal de Maceió, vereador Galba Novaes) e o PDT (ex-governador Ronaldo Lessa).
Paulão – em entrevista a este blogueiro – confirmou o encontro e a conversa “produtiva”. Mas afirmou que lá esteve presente enquanto militante do partido, para uma análise de conjuntura, não representando – portanto – esfera alguma das Executivas.
Ele destaca que não faz parte das Executivas e que por isto, afirma que pode defender ideias, mas “como homem de partido, sabe que a discussão passa por outras esferas”. “Posso ser derrotado nestas discussões, ao mostrar a leitura que faço”, salientou. O petista defende que o PT marque espaço com uma candidatura própria.
“A conversa com o PTdoB foi um bom diálogo. Eu vejo a pré-candidatura da Rosinha da Adefal, que durante o encontro foi exposta, como legítima e viável. Temos uma relação diplomática. Mas, o encontro não foi uma reunião partidária. Eu acho positiva a ação do PTdoB, porque a Rosinha tem fatores importantes no processo: envolve a discussão sobre o espaço da mulher e uma outra questão é o carisma que ela possui. Foi mostrado uma pesquisa com dados que a apontam como terceira na disputa por Maceió, estando atrás de Ronaldo Lessa, que é o primeiro, e Rui Palmeira, que aparece em segundo, mas muito próximo da Rosinha”, disse Paulão, que frisou ainda que – conforme o PTdoB – o índice de rejeição dela é baixo.
Quanto ao PT, ele diz que o partido – por sua vez – passa por uma discussão interna. “Eu sou pré-candidato, mas o debate ainda é muito maduro. No Governo Federal, o PT se encontra na terceira gestão e precisa participar ativamente das eleições municipais nas capitais, com bons nomes. Eu me acho preparado e tenho o desejo de partir para a disputa. O PT – nacionalmente – tem prioridade de lançar candidatos nas capitais, desde que haja viabilidade eleitoral. O assunto será acompanhado pela Executiva nacional”, colocou ainda.
O petista afirma que – neste ponto – cada Estado e capital possui sua realidade. “O fator densidade eleitoral vai pesar muito. Quem tiver bom desempenho neste sentido, e estiver na base aliada pode buscar espaços. Uma coisa é clara, o palanque de agora serve de lastro para 2014”.
Apesar dos nomes do PT não possuírem densidade ainda, ele ressalta que acredita na candidatura própria com o apoio da Executiva Nacional. “Vou trabalhar por isto. Mas, no processo do diálogo é preciso enxergar que se num futuro próximo não for candidato, o PT (municipal) tem que pensar em não ser coadjuvante neste processo. Entendo que tem que sair buscando espaço na majoritária e não pode ficar de fora da Câmara Municipal”. Paulão acredita que há espaço para que a legenda faça três vereadores.
Aliança com Rosinha
Quanto a uma possível aliança com o PTdoB, o ex-deputado estadual afirma que fala enquanto militante, ou seja, apenas uma análise. Mas, afirma: “se a candidatura própria não evoluir, o partido precisa ter a grandeza política de dialogar com a base aliada. Neste sentido, entendo que a Rosinha é um nome importante, pois é o fato novo da política. Sem ligação com violência ou escândalos e com baixa rejeição. O PTdoB fez de forma explícita o que ainda ninguém fez, que é querer buscar o PT como interlocutor na construção de um projeto na base aliada. Se colocou em duas situações: como vice do PT em uma possível composição, ou tendo a Rosinha como cabeça, a possibilidade do PT indicar o vice”, destacou.
Paulão ainda analisou o quadro da seguinte forma: “é uma candidata com chances. Logo, se eleita ainda abre vaga para o PT na Câmara Federal. Se o Joaquim Beltrão (PDMB), que é deputado federal for candidato no interior e for eleito, aí o PT pode acabar com duas vagas. O que é importante de ser analisado pelo partido também. O que não pode é o PT ser coadjuvante, pois há candidato sendo lançado sem nem dialogar com o partido”, frisa.
Paulão acredita que se o partido se aproximar do PTdoB pode acabar construindo uma 3ª via com perspectiva real. Será que esta análise avança dentro da estrutura partidária, pois vale salientar que esta é a visão de apenas um militante, mesmo na condição de ex-deputado e de um dos nomes mais importantes entre os petistas.
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