A ativista que ficou famosa ao desafiar a lei que proíbe as mulheres de dirigir na Arábia Saudita morreu em um acidente de carro no último sábado (21), segundo reportagem publicada nesta quarta-feira (25) pelo tabloide britânico Daily Mail.

A saudita Manal al Sharif, uma analista de sistemas de 32 anos, ganhou notoriedade ao aparecer dirigindo seu carro em vídeos postados no YouTube.

De acordo com um porta-voz da polícia de Hael, no norte do país, Manal morreu na hora, enquanto uma passageira que estava no banco de carona foi internada com ferimentos graves.

Em maio, Manal al Sharif lançou uma campanha de desobediência civil através de vídeos postados no YouTube. Nas imagens, ela aparece dirigindo seu carro livremente, incitando outras mulheres sauditas a desafiar a lei e fazer o mesmo.

No vídeo, que teve mais de 500 mil exibições no site, a mulher afirma “que nenhuma lei do Islã proíbe as mulheres de dirigir”, acrescentando que esta proibição se deve unicamente a "fatores sociais de um reino ultraconservador".

Manal acabou presa e condenada a dez chibatadas, mas teve sua pena revogada após uma campanha de pressão internacional que incluiu críticas da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ao tratamento dado pelas autoridades.

A sentença foi anunciada apenas dois dias depois de o rei Abdullah garantir às mulheres o direito de votar e de concorrer nas próximas eleições municipais.

A Arábia Saudita é uma monarquia absolutista que não tolera qualquer forma de dissidência e aplica uma versão do Islã sunita, na qual a polícia religiosa patrulha as ruas para assegurar a segregação entre homens e mulheres.

De acordo com a lei islâmica da Arábia Saudita, as mulheres precisam da permissão de um guardião masculino para trabalhar, viajar para o exterior ou se submeter a determinados tipos de cirurgia. No entanto, não há qualquer lei que proíbe as mulheres de dirigir, mas sim a exigência de que os cidadãos usem licenças de motorista locais enquanto estiverem no país. Tais habilitações não são emitidas para as mulheres, o que torna efetivamente ilegal que elas dirijam.

Em maio, protestos pró-democracia varreram a região e algumas mulheres sauditas passaram a exigir o direito de dirigir. Uma campanha apelidada de “Women2Drive” (Mulheres para dirigir, em um trocadilho em inglês) convocou mulheres em mídias sociais como o Twitter e o Facebook para desafiar a regulamentação.