O cenário desta quarta-feira era bastante familiar a Narciso. Muito sol, Pacaembu cheio e final de Copa São Paulo. Foi assim, em 2010, que ele se dirigiu com o Santos para buscar o título mais importante de sua carreira como treinador e viu a taça escapar por entre os dedos para o São Paulo, de Lucas e Casemiro. Um gol do são-paulino Roniele, nos acréscimos, levou aquela final aos pênaltis e tirou o título da Vila Belmiro. Narciso, campeão com o Corinthians nesta quarta-feira, foi premiado pelo destino. Ao apito final, chorou de maneira copiosa.

Sem trabalhar ao ser dispensado pelo Santos logo depois da última Copa São Paulo, Narciso assumiu os juniores do Corinthians e superou seu trauma em menos de seis meses. A taça, que parecia distante com o gol inicial de Michael para o Fluminense, ficou com ele e os corintianos graças a dois gols do zagueiro Antônio Carlos. O último, como naquela manhã de 2010, surgiu bem perto do fim. Loucura para Narciso e para o camisa três, herói máximo da vitória.

Contra o São Paulo, o treinador foi vítima de críticas e mais críticas e chegou a trocar empurrões com policiais militares, revoltado pela arbitragem bastante confusa de Thiago Duarte Peixoto e prejudicial ao Santos naquela decisão. O título que escapou, a demissão na Vila Belmiro e a fase ruim da base do Corinthians foram todas superadas por ele.

Narciso, aliás, tem participação direta na formação do time de melhor ataque, melhor defesa e melhor campanha da Copa São Paulo. O volante Gomes, hoje o corintiano com mais perspectivas no grupo profissional, seria dispensado em julho, mas teve a permanência bancada pelo ex-santista. Leonardo, 16 anos, saiu da reserva dos juvenis para exercer a condição de nome fundamental da Copa São Paulo. Dois exemplos do chamado "dedo do treinador".

O trabalho de seu técnico campeão, mais que isso, faz o Corinthians voltar a fazer planos de ter crias da base no time profissional, maior lacuna da administração de Andrés Sanchez em mais de quatro anos. No elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro em dezembro, Tite contava apenas com o goleiro Júlio César, vencedor da Copa São Paulo em 2004 e 2005.