O soldado afegão que na sexta-feira (20) matou quatro soldados franceses e feriu outros 15 disse neste domingo que sua motivação foram as imagens de militares americanos urinando sobre cadáveres de afegãos divulgadas no início de janeiro, disseram fontes de segurança em Cabul.
"Ele é realmente um soldado registrado, e declarou ter sido essa sua motivação nos primeiros interrogatórios feitos pelos militares franceses", disse uma das fontes.
"Em suas primeiras confissões, disse que estava fortemente motivado a matar os soldados quando viu o vídeo", declarou outra fonte, segundo a qual o assassino, conforme disse, "não tinha nenhum contato direto com os talebans, mas tampouco os odeia".
Na sexta-feira, um militar afegão atirou contra um grupo de soldados franceses que davam formação a tropas afegãs em Gwan. O homem aproveitou um momento em que os instrutores faziam 'jogging' na base, desarmados e desprotegidos, para atirar contra eles.
Quatro homens morreram e 15 ficaram feridos, oito deles com gravidade. Em reação, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, suspendeu todas as operações da França no Afeganistão e disse que pode antecipar a retirada das tropas caso a situação de segurança não se estabilize.
No sábado, Gérard Longuet disse que o assassino era "um taleban infiltrado há tempos", segundo lhe contou o general Nazar, comandante da 3ª Brigada do Exército Nacional Afegão (ANA), à qual o soldado é subordinado.
Com 21 anos, o homem, identificado como Abdul Mansur, foi detido depois do ataque.
Segundo Longuet, trata-se de um ex-soldado do exército afegão que desertou e em seguida provavelmente foi para o Paquistão, antes de voltar ao ANA. Estava há dois meses na unidade de Gwan.
Questionada, a liderança taleban disse às agências de notícias que os militantes não foram os responsáveis pelo ataque. Em geral, o grupo costuma reivindicar rapidamente mortes de soldados estrangeiros causadas por seus integrantes.
Por escrito, um de seus porta-vozes, Zabiullah Mujahid, reconheceu, no entanto, que os insurgentes investigavam o caso.
O presidente afegão, Hamid Karzai, também qualificou no domingo o assassinato dos quatro militares franceses como um "ato individual e isolado", sem mencionar a palavra "taleban".