O presidente da empresa proprietária do Costa Concordia disse que sua companhia desconhecia as práticas arriscadas que envolviam aproximar os navios do litoral para que turistas tivessem um vista melhor, de acordo com entrevista publicada no jornal italiano "Corriere della Sera" nesta sexta-feira.

Segundo o empresário Píer Luigi Foschi, da empresa Costa Cruzeiros, os navios às vezes passavam perto da costa em uma "navegação turística", mas isso sempre foi feito com segurança, e que a empresa desconhecida que o Concordia se aproximaria tanto.

"Não posso descartar que capitães individuais, sem nos informar, possam ter estabelecido uma rota mais próxima da terra. No entanto, posso descartar que jamais tenha sabido que eles podiam fazer isso de forma insegura", afirmou.

Investigadores suspeitam que o Concordia tenha afundado porque o comandante Francesco Schettino se aproximou a apenas 150 metros da ilha de Giglio, na costa oeste italiana, aparentemente para "saudar" a população local.

A Costa Cruzeiros suspendeu Schettino, que está sob prisão domiciliar, e se apresentou como vítima no processo.

Foschi também criticou a demora na retirada dos ocupantes do navio depois da colisão com uma rocha, na sexta-feira passada, e negou que tenha havido pressão sobre Schettino, por motivos financeiros, para que ele esperasse antes de anunciar a ordem de desocupação.

"Asseguro absolutamente a vocês que ninguém pensou em termos financeiros. Essa seria uma escolha que violaria nossa ética."

COMANDANTE

O capitão do navio afirmou que informou a companhia Costa Cruzeiros imediatamente depois do impacto contra as rochas, relatou nesta sexta-feira seu advogado, Bruno Leporatti.

Em declarações à emissora de rádio pública "RAI", Leporatti informou que Schettino avisou a companhia proprietária do Costa Concordia a respeito do acidente, "como era seu dever". Tal dado nunca foi confirmado pela empresa italiana, sobre a qual também estão focadas as investigações da Promotoria de Grosseto.

Segundo os especialistas, a caixa-preta do navio, que foi recuperada após o naufrágio, também grava as conversas que acontecem na ponte de comando, e desta forma será possível estabelecer com mais clareza todas as ligações telefônicas e quando ocorreram.

Leporatti anunciou que pedirá a libertação do comandante do Costa Concordia, que se encontra em prisão domiciliar, sob a acusação de homicídio culposo, naufrágio e abandono de navio. Segundo o advogado, o capitão manifestou disposição de "assumir sua responsabilidade" em caso de erro comprovado.

Algumas conversas telefônicas divulgadas nos meios de comunicação italianos revelam que tanto Schettino como seus subordinados ocultaram da Capitania dos Portos a magnitude do incidente e se limitaram a comunicar que havia ocorrido um blecaute meia hora depois do choque.

NAUFRÁGIO

O navio naufragou na última sexta-feira (13) próximo à ilha de Giglio, na costa da Itália, após colidir com uma rocha, com mais de 4.200 pessoas a bordo, durante uma manobra não autorizada realizada pelo comandante Francesco Schettino.

Até o momento, foram encontrados os corpos de 11 pessoas mortas no naufrágio e cerca de 20 pessoas seguem desaparecidas.

Nesta sexta-feira, o navio de cruzeiro que está naufragado em Toscana mudou novamente de posição sobre a rocha em que se encontra, forçando uma nova suspensão das operações de busca e resgate dos desaparecidas.

Os indícios de que a embarcação se movimenta também preocupa as autoridades por colocarem em risco as 2.380 toneladas de combustível que continuam dentro do reservatório do navio. Se danificado o reservatório, o líquido poderia se espalhar e contaminar as águas do mar.