Para quase todo ato polêmico, uma desculpa para conter os ânimos. É assim no universo político e não seria diferente com a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas. Ao terminar as eleições que reconduziu Fernando Toledo (PSDB), ao cargo de presidente da Casa de Tavares Bastos, o próprio Toledo concedeu entrevista coletiva improvisada – de forma rápida – à imprensa alagoana.

A principal pergunta foi: qual motivo poderia ser tão forte para que a eleição da Mesa Diretora tivesse que ser antecipada (em caráter de urgência), para que Toledo fosse consagrado presidente do ainda distante biênio 2013/2014? Em entrelinhas, o presidente destacou que a eleição poderia ter sido realizada antes, mas que segurou a antecipação.

O momento escolhido (coincidentemente ou não!) foi bem propício, pois toda opinião pública estava voltada a um julgamento histórico e tão esperado em Alagoas, o que – efetivamente – diminuiu o peso da repercussão da perpetuação de Toledo no comando da Casa de Tavares Bastos.

Mas, a resposta para a pergunta foi: Fernando Toledo ressaltou que este ano (de 2012) seria um ano complicado para se fazer a eleição interna da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, uma vez que os deputados estaduais (que possuem bases no interior) estariam voltados para o pleito municipal, dificultando assim o trabalho e as composições na Casa.

Que desculpa é essa?! Ora, os deputados estaduais são pagos para cumprirem o Regimento Interno e os prazos das eleições internas, votações e outras prerrogativas; e quanto às eleições da Mesa, estas precisam ser regulamentadas de forma mais rígida para não dar espaço a acordos políticos e conveniências. A eleição municipal não pode ser empecilho para que o parlamento estadual – que já anda desgastado com a opinião pública por diversos fatos e fatores – cumpra o que é seu papel, seja a escolha de uma Mesa Diretora, seja o funcionamento em si dentro da normalidade.

Acreditar que o processo eleitoral que vivenciaremos neste ano é motivo suficiente para que o parlamento antecipe suas ações, é permitir que a Assembleia tenha futuramente um ritmo tal que a permita fechar as portas – se assim desejar – para que se trabalhe as bases eleitorais, com os deputados estaduais visando 2014, quando buscam reeleição. Não realizando sequer sessão no período, pela falta de quórum, independente das matérias que lá estejam. Ora, tal comportamento será financiado com dinheiro público: o do contribuinte.

A desculpa, pelo visto, não é das melhores. Participar ativa e diretamente das eleições municipais no arregimentar de bases para eleger vereadores e prefeitos é um compromisso político do parlamentar (o que se compreende e faz parte do jogo), mas que deve acontecer de forma paralela às suas prerrogativas enquanto representante eleito. Paralelo! Isto mesmo!

Que se discuta – no confronto de ideias – os preceitos legais para a antecipação da eleição. Que seja vontade da maioria que atropelou uma minoria! Que seja a clara e evidente negociação política que encontra respaldo nas brechas do Regimento Interno! Que seja uma forma de garantir conquistas lá na frente. Enfim, que seja qualquer outra desculpa, mas que não se venha a confundir alhos com bugalhos. Se o argumento for só este apresentado, é risível!
 

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