Mergulhadores italianos suspenderam nesta quarta-feira as buscas no navio de cruzeiro Costa Concórdia, que naufragou na costa da Itália, depois que o casco mudou levemente de posição sobre a rocha em que está assentado perto da ilha de Giglio, disseram autoridades.

O porta-voz da equipe dos bombeiros, Luca Cari, disse que as buscas foram interrompidas por volta das 8 horas (horário local), após uma movimentação de alguns centímetros que representava um perigo para os mergulhadores que vasculham os espaços submersos do navio. Cari não deu estimativas de quando o trabalho poderia ser retomado.

Nesta quarta-feira está previsto que os especialistas utilizem mais uma vez pequenas cargas de explosivos para abrir passagem entre os restos do navio para tentar localizar os corpos dos mais de 20 desaparecidos, informou a imprensa italiana.

Dois dias atrás, as equipes de resgate também foram obrigadas a suspender as buscas por horas após uma pequena movimentação da embarcação, que está inclinada sobre seu lado direito a poucos metros do litoral da ilha do Giglio.

As equipes de salvamento trabalham contra o relógio, porque pela previsão nesta quinta-feira haverá ressaca, o que pode impedir o acesso ao interior do navio. Os mais pessimistas temem que possa afetar a inclinação do barco.

Um dos temas mais preocupante agora, além do resgate dos desaparecidos, é o de evitar o desastre ambiental que poderia ocorrer se as 2,3 mil toneladas de combustível que estão dentro do navio vazarem para o mar.

Os helicópteros que sobrevoaram a região avistaram algumas manchas, o que poderia ser combustível leve, mas também consequência da atividade das lanchas que circulam no local. Por isso acredita-se que sejam de fácil evaporação, na opinião dos analistas.

Para garantir a retirada do combustível com segurança, estão na ilha especialistas de uma companhia holandesa que vão trabalhar para estabilizar o navio.

Pelos últimos dados divulgados pela Costa Cruzeiros, proprietária da embarcação acidentada, até o momento, o número de mortos no naufrágio é de 11.

Enquanto as equipes de resgate trabalham nas águas de Giglio, a justiça prossegue em Grosseto o processo em torno do comportamento do capitão do navio, Francesco Schettino, a quem a Procuradoria acusa de homicídio culposo múltiplo, abandono do navio e naufrágio.

Schettino, que pode ser condenado até 15 anos de prisão, foi interrogado no dia anterior pela juíza de instrução Valeria Montesarchio. Depois de ouvi-lo, a magistrada o colocou em prisão domiciliar, pois não considera que exista risco de fuga como sustenta a Promotoria de Grosseto.

À juíza de instrução, Schettino admitiu que estava no comando do navio quando houve o choque contra as rochas. No entanto, ele garantiu salvou a vida de "centenas, milhares de pessoas" com suas manobras após a colisão da embarcação, que tinha 4.229 pessoas no momento do naufrágio.

Esta declaração do capitão do Costa Concordia coincidiu com a publicação no jornal Corriere della Sera do conteúdo de telefonemas entre ele e um responsável da Capitania dos Portos que revelam que Schettino deixou o navio antes da retirada de todos os passageiros.

Naufrágio do Costa Concordia
O cruzeiro Costa Concordia naufragou na última sexta-feira, dia 13 de janeiro, após colidir em uma rocha nas proximidades da ilha de Giglio, na costa italiana da Toscana. Mais de 4,2 mil pessoas estavam a bordo. Até a tarde de terça-feira, dia 17, 11 mortes haviam sido confirmadas. Ainda há desaparecidos, e prosseguem os trabalhos de busca. O Itamaraty informou que 57 brasileiros estavam a bordo do navio, mas nenhum deles está entre as pessoas não encontradas.

O navio, que tem 290 metros de comprimento e 114,5 mil toneladas, margeava a ilha de Giglio quando houve a colisão, imediatamente começando a adernar. Houve pânico e reclamações de despreparo da tripulação. O comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, foi acusado de ter abandonado o navio. Ele disse que estava no comando, mas um áudio divulgado para a imprensa, em que há uma discussão entre ele e a Guarda Costeira, indica que o capitão já estava na costa no momento do resgate.