Com sete anos de carreira como fotógrafo profissional, José Zamith, de 44 anos, realizará a primeira exposição individual de suas obras, no mês de agosto deste ano, em Manaus. O evento é estimulado pelo trabalho realizado ao longo dos anos.
A mostra, nomeada “O rio que habitamos”, oferecerá, através de uma visão poética, retratos da vida dos ribeirinhos amazonenses. “Não pretendo enveredar pelos caminhos políticos ou denunciativos da arte. Procuro somente mostrar o lado romântico de se viver à beira de um rio, mostrar um meio alternativo de vida”, explicou o fotógrafo.
Para Zamith, navegador de diversos ramais fluviais, atravessar um rio e visitar uma habitação ribeirinha é como passar por um túnel do tempo. “Em minha opinião, é um acontecimento único. Você pega a balsa e em menos de 10 minutos, toda a paisagem ao seu redor se transforma. E quando vemos, parece que voltamos 200 anos no passado”, complementou o artista.
Sobre a origem do projeto fotográfico, o autor explica que já realizava desde 2004 fotos que seguiam a mesma linha temática, mas que a ideia da exposição surgiu somente no final de 2011. “Minha primeira foto de uma casa ribeirinha data de 2004. No fim do ano passado parei para rever minhas obras e percebi que elas vinham apresentando semelhanças estéticas. Juntei o material e decidi programar uma mostra”, disse Zamith.
Outra característica marcante da exposição, e que auxilia na mensagem romântica do conjunto, é a escolha do preto e branco (PB). Segundo o autor, tal escolha veio naturalmente. “Pelo fato das fotos possuírem uma conotação documental, que é o registro de um momento da vida dos ribeirinhos, a escolha da escala de cinza foi natural. Mas posso afirmar também que, na fotografia assim como no cinema, o PB tem um apelo emocional e artístico maior que o colorido”.
Quando perguntado o porquê de ter marcado a exposição para agosto, Zamith explica que ainda há ajustes a serem feitos. “Pretendo voltar às comunidades que visitei para fazer um registro mais intimista e profundo da vida daquele povo e isso demanda tempo”.
Sem um local definido para expor sua mostra, Zamith apresenta certa dúvida quanto à escolha. “Fico no impasse entre um shopping, onde teria maior visualização, devido ao fluxo intenso de pessoas, ou uma galeria, onde teria um público mais focado e especializado”, afirmou José Zamith.
Quando questionado sobre as expectativas a respeito de sua exposição, Zamith afirma querer elevar sua obra a nível nacional. “Pensando um pouco mais na frente, quero levar meu trabalho ao nível nacional. Na verdade, esse é o sonho de todo artista”, conclui sorrindo.
Dentre esse meio tempo, Zamith, com ajuda da curadora paulistana, Rosana De Conti, terminará de escolher as fotos que entrarão para a seleção final da exposição. “Até o presente momento já foram selecionadas 32 de um total de 50 fotos. É um processo um pouco demorado”.