O ditador sírio, Bashar Assad, que enfrenta protestos há dez meses contra seu regime, saudou nesta quarta-feira milhares de simpatizantes em uma praça da capital, Damasco. Os presentes se reuniram para realizar uma manifestação em apoio a Assad e membros do regime.

Em uma breve e rara aparição pública, o ditador fez um pronunciamento em um palco instalado em uma praça no centro da capital, onde seus apoiadores acenavam bandeiras e exibiam imagens suas.

"Vim aqui para unir nossas mãos, olhar em direção ao futuro e caminhar em frente. Colocar uma mão sobre as reformas e outra sobre a luta contra o terrorismo", afirmou ele. "Vamos vencer a conspiração".

A multidão gritava "Shabiha para sempre, para seus olhos, Assad", em referência às milícias leais ao regime que conquistaram reputação por serem temíveis ao reprimir os protestos contra Assad.

A mulher de Assad, Asma, e os dois filhos se juntaram a ele em uma aparição surpresa na praça central de Umayyad. "Eu pertenço a esta rua", disse a mulher, acrescentando que a Síria estava enfrentando conspiradores estrangeiros. "Daremos um fim a eles e aos seus planos. Venceremos, sem qualquer dúvida."

"O importante é ter confiança no futuro e eu tenho em vocês, porque venceremos sem dúvida nenhuma essa conspiração", afirmou Assad.

DISCURSO

A manifestação vem um dia depois de o ditador fazer um longo discurso televisionado pela emissora estatal da Síria, no qual acusou interesses estrangeiros de tentarem desestabilizar o país.

Na ocasião, Assad defendeu que não há divisão interna na Síria, apesar de, segundo ele, haver grupos militantes terroristas tentando desestabilizar sua autoridade. Segundo ele, não houve ordens para qualquer membros de suas forças atirarem em cidadãos.

Segundo Assad, forças externas tentam desestabilizar o país, e está claro para todos que existe uma conspiração. Ele garantiu ainda que não vai deixar o poder, insistindo que ainda possui o apoio popular.

O ditador sírio prometeu que uma nova Constituição será proposta no país, e deverá se submeter à avaliação popular por meio de um referendo que acontecerá em março. Depois disso, ele prometeu que ocorrerão eleições parlamentares.

LIGA ÁRABE

Assad criticou ainda a Liga Árabe, se dizendo surpreso pelo fato de os árabes terem ficado contra a Síria e não ao lado dela. Mas, segundo ele, os membros da organização não tiveram liberdade para decidir isso porque também estão sob pressão.

Nesta quarta-feira, um monitor da Liga Árabe deixou a Síria dizendo ter testemunhado "cenas de horror" que não teve condições de evitar e que a delegação enviada pela entidade ao país não estava atuando de modo independente.

"Eu me retirei porque me encontrei na situação de estar servindo ao regime (sírio)", disse o argelino Anwar Malek à emissora de TV árabe Al Jazeera, ainda vestindo o colete laranja usado pelos monitores da Liga Árabe. "Eu estava dando ao regime uma oportunidade maior de continuar sua matança, e eu não podia evitar isso".

A Liga Árabe enviou em 26 de dezembro cerca de cem observadores para verificar o cumprimento de um plano de paz para o país. O acordo propõe o fim de todos os conflitos, a retirada de soldados das ruas e a libertação de prisioneiros políticos.

A ONU calcula em mais de 5.000 pessoas o número de mortes na repressão aos protestos contra Assad, que já duram dez meses. Autoridades sírias dizem que enfrentam grupos terroristas, que já mataram 2.000 membros da polícia e das forças armadas nos dez meses do conflito.