O empresário Cleber Alves Salazar, suspeito de fraudar bombas de combustível em postos de Curitiba, se entregou à polícia na noite de segunda-feira (9), após ter sua prisão temporária decretada pela Justiça.

Uma reportagem do "Fantástico", da TV Globo, exibida no domingo (8), mostrou Salazar, proprietário da Power Bombas Manutenção e Instalação Ltda., negociando a venda de um sistema eletrônico, acionado por controle remoto, para que as bombas forneçam menos combustível do que a quantidade aferida no painel. Cada controle custa R$ 5.000.

Ele não sabia que estava sendo filmado.

"Você coloca o bororó para rodar. Em três meses, está pago. O resto da sua vida você vai ganhar dinheiro", disse o empresário, na reportagem.

Ontem, em depoimento ao Ministério Público do Paraná, Salazar negou envolvimento na fraude e afirmou que realiza uma atividade lícita e que sua empresa tem credenciamento no Inmetro e alvará de funcionamento da Prefeitura de Curitiba.

Salazar está sendo investigado sob suspeita de participação em crimes de formação de quadrilha, estelionato, corrupção ativa e passiva, sonegação fiscal e crime contra a ordem econômica e as relações de consumo.

FISCALIZAÇÃO

Ontem, o Ipem (Instituto de Pesos e Medidas) e a Polícia Civil iniciaram uma operação para verificar possíveis fraudes nos postos atendidos pela Power Bombas --são cerca de 40 estabelecimentos em Curitiba.

Até agora, dois deles (Posto Varela e Posto Bairro Alto) apresentaram problemas. As bombas irregulares, que apresentavam déficit no nível de combustível, lacres rompidos e problemas de vazamento, foram interditadas. A fraude feita por controle remoto não foi comprovada em nenhum dos estabelecimentos.

O Ipem também suspendeu o credenciamento da Power Bombas por 60 dias, e os postos atendidos por ela só poderão fazer manutenção em suas bombas com autorização prévia do órgão.

A operação deve continuar nos próximos dias. Todos os 40 postos atendidos pela Power Bombas serão fiscalizados.