O Gol e o Uno alcançaram novamente em 2011 a primeira e segunda colocações, respectivamente, no ranking dos carros mais vendidos no ano no Brasil, assim como aconteceu em 2010, segundo levantamento realizado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O principal em vendas no País teve 293 mil unidades comercializadas, enquanto o carro de entrada da Fiat, 273 mil. Mais do que a liderança mantida, pela primeira vez em cinco anos os dois mais vendidos atingiram um percentual recorde em relação aos outros oito do "top 10" Brasil. As unidades vendidas de Gol e Uno representam 68% das vendas dos restantes somadas - Celta, Corsa Sedan, Palio, Fox, Siena, Voyage, Fiesta e Sandero. Nos anos anteriores, a concentração não foi tão grande nos dois primeiros da lista. Em 2007, atingiu 63%, e, no ano seguinte, um ponto percentual a menos. Já em 2009 e 2010, os dois primeiros responderam por 55% em relação aos oito seguintes.
As razões para a maior preferência dos consumidores por Gol e Uno são diferentes para cada veículo. O Gol lidera a lista dos mais vendidos há alguns anos. Desde o início do levantamento da Fenabrave, em 2002, nenhum outro modelo ocupou o topo do ranking a não ser o carro de entrada da Volkswagen. Segundo o consultor de varejo automotivo Ayrton Fontes, mesmo o preço do Gol sendo um pouco superior aos de seus concorrentes, existe no Brasil a cultura de que tudo o que a Volkswagen faz é de qualidade.
"O Gol é o carro de mais tradição, mais tempo de mercado e mais confiabilidade, e mantém a posição há muito tempo. Desde o Fusca e a Brasília. É uma cultura que está na cabeça dos consumidores", afirmou.
Tanto é assim que as vendas do Gol variaram pouco entre anos. As mesmas 293 mil unidades foram registradas em 2010, enquanto que em 2009 e 2008 foram 303 mil e 285 mil vendas, respectivamente.
A maior concentração de vendas em 2011 tem mais relação com o veículo da Fiat. O Uno deu um salto nas vendas passando de 229 mil unidades no ano retrasado para 273 mil no último levantamento.
"Nesse último ano teve um fato relevante. A Fiat passou o preço do Uno de R$ 23,9 mil, que é o preço padrão dos veículos de entrada, para R$ 21,9 mil. Foi uma retaliação porque o Clio foi colocado a R$ 22,9 mil e chamado de o mais barato do Brasil", afirmou Fontes. Para ele, a única vantagem do Uno é o preço. Atualmente, o Uno é o mais em conta à venda no País, custando R$ 23,4 mil, enquanto o Gol é encontrado por, no mínimo, cerca de R$ 26 mil.
Já o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti, destaca o desempenho obtido pelo novo Uno que alterou o design e agradou os consumidores. Tanto que a Fiat submeteu o Palio a um processo semelhante de reconstrução. "A Fiat agora ficou com três vantagens, o velho Uno, econômico e barato, o novo Uno, com desing arrojado, e o novo Palio, que está vendendo", afirmou.
Itens de série
Embora tenham predominância nas vendas do setor automotivo, os veículos das montadoras tradicionais no Brasil passaram a contar com uma concorrência de carros de entrada oriundos dos países asiáticos China, Coreia do Sul e Japão, representados, principalmente, por Chery, Kia e Nissan. Essas fabricantes lançaram no mercado brasileiro veículos de entrada com preços competitivos, mas com o diferencial de contarem com itens de série não vistos em outros modelos. O exemplo mais evidente é o do QQ, da Chery, que chegou a ocupar a posição de mais barato do País, custando R$ 22,9 mil, e oferece ar-condicionado, direção hidráulica, airbag, freios ABS e travas e retrovisores elétricos.
"Eles (as marcas asiáticas) estavam incorporando equipamentos de R$ 10 mil que outros carros não tinham. Você tem uma linha de carros de entrada e de repente chega um chinês que deveria custar entre R$ 34 mil e R$ 35 mil", disse Fontes. Segundo ele, o ranking deve sofrer mudanças em sua configuração já em 2012. "Os (fabricantes) brasileiros vão ter que colocar um ABS, um airbag. Isso é ótimo para o consumidor", concluiu.